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Como é a vida em um recife de coral?

Sim, eles estão ameaçados no mundo todo.

Pergunta do leitor Cristiano da Silva Neri, Naviraí, MS
Ilustra Rainer Petter
Edição Felipe van Deursen

Rica como a vida em uma floresta tropical. E, assim como a selva, o recife de coral é quente: suas águas variam de 20 a 30 ºC. A temperatura é ideal para que se formem santuários ecológicos nos oceanos: eles servem de ponto de alimentação, reprodução e refúgio a um terço de todas as espécies de peixes marinhos do mundo. Entre os típicos habitantes estão o sedentário peixe-papagaio e a jamanta (uma arraia dócil), além de polvos, estrelas-do-mar e medusas muitas vezes letais para humanos. O homem, aliás, é a única ameaça a essa diversidade. Devido à poluição e à pesca predatória, 10% dos recifes do planeta já morreram. Se seguir assim, em menos de um século nós teremos que sair à procura de Dory e Nemo, literalmente.

 

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(Rainer Petter)

UMA GRANDE FAMÍLIA
Os recifes são imensas estruturas de cálcio onde se agrupam os corais. Cada coral, por sua vez, é uma colônia formada por criaturinhas de 0,5 cm de diâmetro chamadas pólipos, que se alimentam de plâncton

 

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(Rainer Petter)

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(Rainer Petter)

RESORT ORNAMENTAL
Os animais se organizam em rotinas. Até meio-dia, o clima do recife é depaz. Peixes coloridos, como baiacu, peixe-palhaço (Nemo) e cirurgião-patela (Dory), perambulam à procura de algas e de plâncton para comer. Já as anêmonas-do-mar pegam carona na correnteza para traçar camarões. Enquanto isso, os corais estão dormindo, com os pólipos encolhidos

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(Rainer Petter)

PATRULHA SUBMARINA
O peixe-borboleta, o budião-azul e o ouriço-do-mar são conhecidos como “limpadores” do recife, pois mordiscam e arrancam pedaços de coral cobertos por algas e parasitas, como vermes e lesmas, que proliferam e podem asfixiar a colônia inteira. A acidificação dos oceanos ameaça esses limpadores. Sem eles, os recifes podem virar desertos marinhos

 

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(Rainer Petter)

HORA DA FARRA
O pôr do sol é a “troca de turno”. Tudo muda. Os cardumes entram em estado de inquietação. O motivo? Ictiófagos, os devoradores de peixes. Moreias, barracudas, garoupas e outros predadores saem de seu esconderijo à procura de vítimas vulneráveis. Eles são tipicamente escuros para se camuflar nas profundezas onde se locomovem

 

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(Rainer Petter)

HIENAS MARINHAS
Das cerca de 5 mil espécies de peixes de recife, mais de dois terços são carnívoras. Por isso, a comilança é concorrida. De olho nela, estão os invertebrados, que acompanham o frenesi dos peixes ao anoitecer. Crustáceos, moluscos e vermes marinhos aproveitam as sobras deixadas pelos carnívoros e enriquecem sua dieta

VISITA INOPORTUNA
Tubarões, cações e atuns não habitam os recifes, mas transitam por ali. A presença desses peixes de passagem traz outro perigo para os habitantes do recife. É que eles são alvo comum de pescadores, que podem fisgar ou até envenenar os moradores locais. Isso acaba afetando a dieta de tartarugas e golfinhos migratórios, que se alimentam dos peixes de recife

UMA ÚLTIMA CURIOSIDADE A popularidade de Nemo e Dory fez disparar a procura por essas espécies em lojas, aumentando seu risco de extinção na natureza

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+ Como se formam os recifes?
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(Rainer Petter)

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(Rainer Petter)

CONSULTORIA Milena Testoni, bióloga de vida marinha do Aquário de São Paulo, e Fábio Lang da Silveira, do Instituto de Biociências da USP

FONTES Nasa Ocean Color e Smithsonian Ocean Portal