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As 16 maiores injustiças do Oscar 2016

Leticia_Helena Victor_Liporage

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Representatividade, novos talentos, filmes independentes fantásticos, franquias renovadas, expoentes da indústria esquecidos… Se a Academia não falhou em todos esses aspectos, ao menos podia ter feito mais em alguns deles. Nesta lista, tentamos fazer justiça ao que o cinema ofereceu de melhor aos espectadores em 2015 e 2016.

1) Beasts of No Nation

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DEVERIA TER SIDO INDICADO A: Melhor filme, Melhor diretor (Cary Fukanaga), Melhor roteiro adaptado (Cary Fukanaga), Melhor fotografia, Melhor ator (Idris Elba)

Esse original Netflix deu o que falar em 2015, mas não parece ter impressionado a Academia. Baseado no romance nigeriano de Uzodinma Iweala, aborda o desdobramento de uma guerra civil dentro do território africano pela visão de Agu, um menino que acaba de perder a família e foi recrutado pelo exército da resistência.

Esse projeto ousado é rico em direção, roteiro e elenco, trazendo novos talentos como Abraham Attah e consagrando mais uma vez a atuação de Idris Elba como o comandante da resistência (como pode ter ficado de fora?). A direção e o roteiro ficaram por conta de Cary Fukanaga, que, embora também não tenha sido indicado, trouxe o olhar intenso e sagaz que fez o filme brilhar mais ainda nas telonas. Além disso, a fotografia do longa é algo de tirar o fôlego.

2) Que Horas Ela Volta?

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DEVERIA TER SIDO INDICADO A: Filme estrangeiro

Até na categoria de filme estrangeiro a Academia deixou escapar alguns longas incríveis. A começar pelo cinema nacional: Que Horas Ela Volta? (leia nossa resenha) traz um roteiro leve e cheio de questões importantes. A crítica estrangeira se rendeu e prêmios internacionais foram concedidos tanto à atuação de Regina Casé quanto à de Camila Mardila. Vale citar também outro injustiçado na categoria: o argentino O Clã, que tem uma narrativa envolvente e direção impecável de Pablo Tropero (Elefante Branco). O longa trata dos crimes em série mais marcantes da Argentina e consegue habilmente contrastar a crise política da ditadura no país com cenas eletrizantes de violência.

3) Straight Outta Compton

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DEVERIA TER SIDO INDICADO A: Melhor filme, Melhor diretor (F. Gary Gray)

Mais um ícone de representativade totalmente esnobado! O filme conta a história do NWA, grupo que revolucionou o hip hop nos anos 80. Dentre seus temas, aborda a vida no gueto. Straight Outta Compton não só foi sucesso de público, como também de crítica, algo que não é qualquer um que alcança.

F. Gary Gray faz um filme importante sobre a ascensão da cultura negra na nação americana e na música do país. Deem a essa cara ao menos a oportunidade de concorrer a uma estatueta! Agora, só uma indicação a Melhor roteiro original… Sentimos cheirinho de mea culpa.

4) Creed

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DEVERIA TER SIDO INDICADO A: Melhor diretor (Ryan Coogler), Melhor ator (Michael B. Jordan), Melhor atriz coadjuvante (Tessa Thompson)

Rocky Balboa retornou às telonas e, com ele, um filme que veio reinventar a franquia do boxeador italiano. Mas não se engane, este longa trata da vida de Adonis Creed, filho de uma relação extraconjugal de Apollo Creed, o primeiro inimigo de Rocky nos ringues.

O longa foi dirigido e escrito por Ryan Coogler, que, apesar de esnobado, conseguiu filmar de maneira realista e crua as ruas e academias da Filadélfia. Suas cenas de luta ousadas parecerem partes de um mesmo plano-sequência.

Além da primorosa atuação de Sylvester Stallone, que há tempos não nos dava interpretações como essa, vemos o despertar de Michael B. Jordan, que transborda talento ao interpretar o tempestuoso Adonis e brilha como o protagonista da história. Tessa Thompson completa o elenco genial que fez dessa obra um sucesso de crítica e público. Apesar de ótimas atuações, apenas Stallone conseguiu indicação como coadjuvante.

5) Star Wars: O Despertar da Força

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DEVERIA TER SIDO INDICADO A: Melhor filme, Melhor diretor (J.J. Abrams)

Um dos filmes mais esperados de 2015 foi a nova saga da franquia Star Wars (leia nossa resenha). Estreando como uma das maiores bilheterias do ano, o longa foi elogiado em diversos aspectos e fez a nostalgia tomar conta dos fãs, contando a história de uma nova protagonista 30 anos depois do Episódio VI, O Retorno de Jedi.

Apesar de indicado às estatuetas técnicas, o filme foi completamente esnobado nas categorias principais de Melhor Filme e Direção. O diretor J.J. Abrams fez um ótimo trabalho revigorando a saga, criando momentos carismáticos, construindo novos personagens e recapitulando os antigos. Seu êxito deveria ter sido mais reconhecido.

6) Os Oito Odiados

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DEVERIA TER SIDO INDICADO A: Melhor filme, Melhor diretor (Quentin Tarantino), Melhor roteiro original (Quentin Tarantino) e Melhor ator coadjuvante (Samuel L. Jackson)

Será que o gênio está errando na mão? Mesmo com capricho em cena e na construção dos personagens, além de não deixar nenhuma ponta solta, Tarantino foi esquecido nas categorias de Melhor diretor, filme e roteiro original, nas quais era figurinha carimbada. Os Oito Odiados (leia nossa resenha) é sua obra mais profunda e autoral nos últimos anos, embora mais distante do “pop” e do entretenimento. E isso sem falar do desprezado Samuel L. Jackson, brilhante como um misto de anti-herói e artista stand-up.

7) Carol

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DEVERIA TER SIDO INDICADO A: Melhor filme e Melhor diretor (Todd Haynes)

Figurando em algumas das principais categorias técnicas e rendendo indicações às atrizes, Carol não passou despercebido pela Academia. Mas nós podemos dizer que foi esnobado. Nada mais justo que uma indicação a Todd Haynes pelo lindo trabalho de direção, ou a Melhor Filme, prestigiando o trabalho como um todo. Será que um romance lésbico é demais pra tradicional imagem da Academia? Sabemos que o Oscar não liga muito pra minorias…

8) Corrente do Mal

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DEVERIA TER SIDO INDICADO A: Melhor trilha sonora

Os especialistas que nos perdoem, mas a gente queria um terror independente indicado! Corrente do Mal foi o grande representante do gênero no ano. Seu enredo ousado (monstro que se propaga por transas!) é acompanhado de uma trilha sonora digna de grandes clássicos como O Exorcista, O Bebê de Rosemary e Halloween (aliás, a influência de John Carpenter não poderia ser mais óbvia). Se Whiplash levou prêmios, por que não indicar este independente pelo menos a Melhor Trilha Sonora? Merecia.

9) Sicario

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DEVERIA TER SIDO INDICADO A: Melhor Filme, Melhor diretor (Denis Villeneuve), Melhor ator coadjuvante (Benicio del Toro), Melhor atriz coadjuvante (Emily Blunt)

Desde sua indicação em 2011 a Melhor Filme Estrangeiro por Incêndios, Denis Villeneuve teve uma meteórica e bem-sucedida ascensão a Hollywood. Sicario, seu terceiro filme americano, retrata com classe uma batalha entre o FBI e um cartel mexicano. O filme é uma aula técnica de cinema. As cenas são meticulosamente fotografadas e acompanhadas de um som ritmado perfeitamente, dando um suspense e imersão louváveis.

Mas apenas indicações técnicas não foram o bastante. Emily Blunt traz uma das personagens femininas mais fortes do ano, combatendo o tráfico em parceria com o igualmente esnobado Benicio del Toro. É claro, sem esquecer do trabalho do promissor diretor Villeneuve neste filme grandioso, merecedor de indicações nas categorias principais.

10) Peanuts, O Filme

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DEVERIA TER SIDO INDICADO A: Melhor animação

A Fox já havia adquirido os direitos cinematográficos de Peanuts há muito tempo, mas foi só este ano que o longa foi lançado. A história singela e inocente derreteu muitos corações. Charlie Brown é apaixonado pela menina ruiva, que acaba de se mudar para sua vizinhança, e procura chamar sua atenção com a ajuda do cachorro Snoopy, o que rende muitas risadas.

O visual do filme e impecável e acerta em cheio ao combinar os traços de Schulz com as modernas técnicas de animação. O diretor Steve Martino (A Era do Gelo 4) consegue acompanhar de maneira engenhosa e ritmada a história, criando momentos de nostalgia e carisma que tiram um sorriso do espectador do começo ao fim. Não precisava ganhar, mas a indicação seria justa.

11) Steve Jobs

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DEVERIA TER SIDO INDICADO A: Melhor roteiro adaptado

O filme dirigido por Danny Boyle não passou despercebido: foi indicado a Melhor ator (Michael Fassbender) e Melhor atriz coadjuvante (Kate Winslet). Mas por que não a roteiro adaptado? Aaron Sorkin é um dos melhores “adaptadores de roteiro” de Hollywood e, mesmo com mais um grande trabalho, foi esnobado pela Academia. Em seu currículo constam filmes como A Rede Social e O Homem que Mudou o Jogo, além das séries brilhantemente escritas The Newsroom e West Wing (sim, essa última a que inspirou House of Cards).

12) Perdido em Marte

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DEVERIA TER SIDO INDICADO A: Melhor diretor, Melhor fotografia

Com Alien, o 8° Passageiro e Blade Runner: Caçador de Androides, Ridley Scott provou que é um grande diretor do gênero ficção científica, mas sua irregularidade nos últimos anos havia apagado seu brilho. Com a adaptação para o cinema do best-seller de Andy Wier, The Martian, o cineasta fez merecer uma indicação de Melhor diretor, mas foi esquecido. E o que dizer da fotografia? Uma Marte imaginada por Hollywood valia a 5ª indicação técnica pro filme, sem dúvidas.

13) Velozes e Furiosos 7

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DEVERIA TER SIDO INDICADO A: Melhor canção original (“See You Again”)

O sétimo filme da franquia Velozes e Furiosos teve vários momentos de tributo à morte de um dos seus principais protagonistas: Paul Walker. Pensando nisso, Wiz Khalifa e Charlie Puth compuseram a música “See You Again” especialmente para o longa, procurando homenagear o ator. Apesar de esnobada na categoria de composição original, ela se tornou um hit global, chegando à primeira posição da parada em vários países. Ninguém que não estava em coma em 2015 conseguiu passar imune.

OUTRAS INJUSTIÇAS

14) MELHOR ATOR – Jacob Tremblay, Michael Keaton, Steve Carrell e Will Smith

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A principal categoria de atuação da Academia esnobou algumas grandes atuações esse ano também. Começando por Steve Carrell em A Grande Aposta, filme de comédia dramática que fez sua atuação se destacar entre os demais protagonistas, interpretando o personagem Mark Baum e explorando seu potencial nas cenas elétricas dentro do escritório.

Além dele, temos Will Smith esnobado pela sua grandiosa atuação e um desenvolvimento de personagem impressionante em Um Homem Entre Gigantes, interpretando um neuropatologista forense. Em Spotlight, destaca-se a atuação de Michael Keaton, que demonstra presença de cena como editor-chefe de um grupo de jornalistas que investigam casos de pedofilia em Boston, tornando mais humano o personagem complexo que interpreta. E ainda devemos citar Jacob Tremblay, que brilha e mostra todo o seu talento em O Quarto de Jack (leia nossa resenha) ao interpretar Jack, um menino que vive em um quarto desde que nasceu e que move a narrativa com sua fragilidade.

15) MELHORES EFEITOS ESPECIAIS – A Travessia, Homem-Formiga e Jurassic World

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A Travessia conta a história de um equilibrista francês determinado a passar pelas Torres Gêmeas na corda bamba. Os efeitos são tão realistas que fazem o espectador se sentir imerso no ambiente e causam muito frio na barriga e medo de cair na profundidade da cena. Temos também Jurassic World (leia nossa resenha), uma das maiores bilheterias de 2015, que, apesar de realizar um trabalho incrível nos efeitos, acabou sendo ignorado. E Homem-Formiga nos prestigiou com cenas incrivelmente trabalhadas e que nos deram uma noção ótima do mundo do personagem da Marvel.

16) MELHOR ATRIZ – Carey Mulligan e Charlize Theron e Mya Taylor

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O que todas têm em comum? Interpretam personagens fortes, representativas e que mostram o quanto a figura feminina pode, sim, ser valorizada no cinema. Carey Mulligan é protagonista num filme que fala da luta das mulheres por direito a voto (As Sufragistas) e, junto às suas atuações prévias magníficas, merecia uma indicação.

Assim como Charlize Theron, cujo talento não é surpresa pra ninguém. Se Mad Max foi um dos melhores de 2015 e com alto teor crítico, agradeçam ao papel dela. Max viraria estatística se não fosse sua companheira na Estrada da Fúria.

Para fechar, Mya Taylor é a definição de representatividade. Coadjuvante no filme independente mais ousado no ano (Tangerine, gravado em iPhone), Mya, que é transexual, vive o papel de uma prostituta que só quer ser feliz como mulher, mas não consegue, numa atuação ousada e digna de aplausos.

Todas juntas provam que a mulher no Oscar não precisa ser uma princesa à mercê de seu príncipe, ela pode andar com as próprias pernas.

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