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Qual o desempenho do Brasil nos prêmios Oscar e Grammy?

nos Oscar, o Brasil já teve 19 indicações e 1 vitória. No Grammy, foram 19 vitórias, mas só duas nas categorias principais

(Yasmin Ayumi/Mundo Estranho)

PERGUNTA Eric Henrique, Capão Bonito, SP

Famoso quem?

O Grammy tem múltiplas subcategorias, o que dá margem para mais brasileiros participarem. Foi o caso do nosso artista mais premiado até hoje – de que talvez você jamais tenha ouvido falar. Radicado nos EUA, o violonista Laurindo de Almeida faturou cinco vezes (como melhor performance clássica, composição clássica ou performance de jazz), entre 1960 e 1964.

Cheio de bossa

Nas categorias realmente importantes, como as de melhor álbum ou gravação, o único brasuca que brilhou foi João Gilberto, um dos mestres da bossa nova. Em 1964, seu disco Getz/Gilberto, em parceria com Stan Getz, levou o troféu de melhor álbum. E “Girl from Ipanema”, cantada por sua esposa, Astrud Gilberto, levou a premiação de melhor gravação.

Verde e amarelo na veia

João Gilberto voltou a ser exaltado em 2000, desta vez na categoria de “world music”, destinada justamente aos músicos que não nasceram nos EUA. Aliás, essa categoria costuma declarar seu amor ao Brasil frequentemente: Sergio Mendes (1992), Milton Nascimento (1997), Gilberto Gil (1998 e 2005) e Caetano Veloso (1999) também já faturaram.

Vitória atrasada

Coautor de “Garota de Ipanema”, o gênio da música Tom Jobim também levou um gramofonezinho de ouro – mas póstumo. Seu último disco, Antonio Brasileiro, ganhou em performance de jazz latino. (Essa subdivisão bem específica também rendeu nossos dois prêmios mais recentes: o Trio Corrente, em 2013, e Eliane Elias, em 2016).

 

É nosso, pero no mucho

O cinema brasileiro nunca chegou lá sozinho, mas já levamos uma estatueta: em 1960, Orfeu do Carnaval ganhou como melhor filme estrangeiro. Foi inscrito na premiação como francês, nacionalidade do diretor Marcel Camus, e teve coprodução italiana, mas é todo falado em português e foi baseado numa peça de Vinicius de Moraes (inspirada na mitologia grega).

Sempre no quase

Filme estrangeiro nos rendeu mais quatro chutes “na trave”. O Pagador de Promessa, Palma de Ouro em Cannes em 1962, perdeu no Oscar para Sempre aos Domingos. Nos anos 90, vieram três marcos do movimento conhecido como a Retomada do Cinema Nacional: O Quatrilho (1995), O Que É Isso, Companheiro? (1997) e Central do Brasil (1998).

Queremos ser grandes

Nas categorias principais, tivemos poucos momentos. Hector Babenco, argentino naturalizado brasileiro, disputou como diretor por O Beijo da Mulher-Aranha (1985). Central do Brasil deu uma nomeação à atriz Fernanda Montenegro. E Cidade de Deus (2002) concorreu em direção (Fernando Meirelles), fotografia (César Charlone), roteiro adaptado (Braúlio Mantovani) e edição (Daniel Rezende).

Dramas da vida real

Em 1982, a diretora Tetê Vasconcellos (irmã da senadora Marta Suplicy) concorreu como melhor documentário com El Salvador: Another Vietnam, mas o filme foi inscrito como norte-americano. Entramos nessa briga de novo em 2011, com Lixo Extraordinário (uma produção anglo-brasileira), e em 2015, com O Sal da Terra (uma parceria França-Brasil-Itália).

 

 

Veja também

Desenhando o prêmio

Outro gênero com boa receptividade aos brasileiros é a animação. Em 2016, concorremos com o belo longa-metragem O Menino e o Mundo. Rio (2011) gerou uma indicação de melhor canção a Sergio Mendes e Carlinhos Brown, por “Real in Rio” (aliás, essa categoria também garantiu a primeira indicação brasileira na história do Oscar, em 1945, para o compositor Ary Barroso, pela canção “Rio de Janeiro”, no filme Brazil). O diretor de Rio, o carioca Carlos Saldanha, já havia concorrido na categoria de curta animado com A Aventura Perdida de Scrat (2002). E, por falar em curta-metragem, Uma História de Futebol concorreu nessa categoria em 2001.  

FONTES Sites Grammy, Oscar, G1, IMDb e O Globo

 

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