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Como foi o caso de espionagem industrial entre Pepsi e Coca-Cola?

Numa briga centenária, toda informação privilegiada pode significar a venda de milhares de garrafas e latinhas a mais

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ILUSTRA Victor Beuren

1) Nos anos 90, a Pepsi levava uma surra da Coca-Cola, que detinha cerca de 50% do mercado de refrigerantes no Brasil. Mas o grupo argentino Buenos Aires Embotelladora S/A (Baesa), que havia conquistado o direito exclusivo de franquear a Pepsi em terras brasileiras, estava disposto a tudo para reverter o cenário. E queria nada menos que 20% do mercado em poucos anos.

2) Com US$ 500 milhões para investir, o executivo Charles Beach, dono da Baesa, queria os 6 mil principais pontos de venda de refrigerantes do Brasil, abrir cinco fábricas no estado de São Paulo e ter uma frota de 1,6 mil caminhões. O que ele não contava, porém, é que a rival Coca-Cola sabia de seus planos antes mesmo de Charles iniciar a empreitada.

 

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3) As informações confidenciais da Baesa vazaram em 1994 por meio de um técnico de som, que entregou quatro fitas à Spal, empresa engarrafadora da Coca-Cola, em São Paulo. Elas continham trechos de conversas entre diretores e gerentes da Baesa sobre planos de estratégia estimados hoje em cerca de US$ 5 bilhões. Na sede da Coca, as fitas foram transcritas.

4) Um gerente de operações da Coca, encarregado da transcrição, denunciou o ocorrido após ter sido demitido. A empresa admitiu que seu funcionário recebeu o material sobre a Baesa, mas negou qualquer envolvimento da diretoria. Menos de três anos depois, a divisão brasileira da engarrafadora argentina foi vendida para a Brahma. Hoje, o direito de distribuição da Pepsi está com a Ambev.

 

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FONTES Livros A Elite do Crime, de James William Coleman, The Spycraft Manual, Barry Davies, Sticky Fingers: Gerenciamento de Risco Global, de Steven Fink; sites G1, UOL, Folha de S.Paulo, O Globo, O Estado de S. Paulo, The New York Times, The Huffington Post, BBC, Daily Mail, The Guardian, FBI, TV Globo, Record; revistas EXAME, VEJA e Época Negócios