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E se não houvesse corrupção no Brasil?

Teríamos mudanças significativas na infraestrutura do país, na qualidade de vida e até nos salários dos professores

ILUSTRAS Marcelo Costa

TUDO NO SEU LUGAR

No ranking mundial de corrupção feito em 2013 com 177 países, ficamos na vergonhosa 72ª colocação. Estima-se que entre 1,38% e 2,3% do PIB (Produto Interno Bruto) vaze dos cofres públicos em esquemas de corrupçãodireta. Em 2013, isso equivaleu a entre R$ 66,8 e 111 bilhões. Imagine essa grana aplicada corretamente para aparelhar a vida do cidadão e mover a economia…

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Holerite recheado

É possível que os salários fossem maiores – e não só nos cargos públicos.Corrupção também é um problema (e dos grandes!) no mundo corporativo. O custo-corrupção não se refere somente ao ato em si, como o pagamento de propinas, mas também no gasto indireto, no controle fiscal. Ou seja, sem a podridão, haveria mais verba para investir na empresa e nos funcionários

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Grana no bolso

A renda per capita é um índice que mede a receita média de todos os cidadãos brasileiros em um ano. Em 2013, ela foi de R$ 24.065. Considerando que o impacto da corrupção na nossa economia está na faixa dos 2%, se todo mundo fosse honesto, a média subiria para R$ 24.546,30. Ou seja: quase R$ 500 a mais por ano na conta de cada brasileiro

Um destino melhor

Para cada dinheiro perdido com os desvios, há um segundo prejuízo: a grana gasta com burocracia e auditoria para tentar evitar ou diminuir o problema. No Brasil, já se criou até a mentalidade de incluir, no orçamento de um projeto, um “extra” para compensar possíveis perdas de eficiência ou desvios de verba. Num país limpo, essa grana seria usada para girar a economia

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Ciclo virtuoso

A qualidade de vida seria melhor. Isso é provado ao redor do mundo: é nos países com menos percepção de desonestidade, como Noruega, Austrália, Dinamarca e Canadá, que estão os melhores IDHs (Índice de Desenvolvimento Humano). Menos corrupção melhora serviços públicos e privados, o que gera mais renda e educação, o que por sua vez ajuda a manter a corrupção sob controle

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Prazo certo, custo previsto

Imagine estradas, escolas e hospitais entregues no prazo. Isso seria muito mais provável num país honesto. Já houve diversos casos de obras públicas atrasadas pela falta de verba ou pela investigação de desvios. No fim de 2013, por exemplo, o Tribunal de Contas da União paralisou sete delas – de uma ponte no Tocantins até ferrovia na Bahia e esgotos em Alagoas

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Vivendo a democracia

Especialistas acreditam que, com “regras do jogo” mais claras, o brasileiro se interessaria mais por política e provavelmente participaria mais. Até porque cargos estratégicos seriam preenchidos pelos cidadãos mais aptos, e não por um parente de vereador, deputado, ministro… Haveria mais confiança nas relações comerciais e mais respeito por instituições como a polícia, o Congresso e o Senado

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Alimentando o leão

Um dos exemplos mais comuns desse problema no Brasil é a sonegação fiscal, ou seja, o cidadão dar “aquele jeitinho” para não pagar impostos. Vale tudo: mentir na declaração do imposto de renda, superfaturar notas ou serviços… A arrecadação fiscal atual chega a 37% do PIB. Sem a trucagem, iria a 59%. Os cofres públicos teriam US$ 1 trilhão a mais para gastar

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Um gás na educação

O orçamento do governo federal para 2014 previa o investimento de US$ 92 bilhões em educação. Parece muito? Essa cifra teria R$ 1,8 bilhão a mais senão houvesse desvios de verba e corrupção. Seria o suficiente para contratar mais 960 mil professores para a rede pública (considerando que o salário médio do cargo no Brasil é R$ 1.874,50). Ou então para dar um aumento de salário para eles, né?

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CONSULTORIA Luís Fernando Massonetto, professor doutor de direito econômico da USP, e Felipe Faria, especialista em compliance, integridade e ética empresarial

FONTES Relatório Corrupção, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, relatório Trillion Dolar Scandal, da ONE Transparency, Transparency International, Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal e Orçamento Geral da União

 

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