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É verdade que há empresas que vendem ar engarrafado?

Tem garrafa que custa mais de R$ 300...

Edição Felipe van Deursen

Sim, e três empresas já estão fazendo (muito) dinheiro com isso: a Vitality Air, do Canadá, a Aethaer, do Reino Unido, e a Green and Clean, da Austrália. Elas não vendem muito em seus respectivos países, mas em lugares muito mais poluídos, como a China e a Índia. E põe sujeira nisso. Um exemplo: em 9 de agosto de 2016, São Paulo registrou 91 microgramas de partículas por metro cúbico de ar. No mesmo dia, Nova Délhi, capital indiana, registrou 170 microgramas, valor tido como insalubre pela Organização Mundial de Saúde. Em Pequim, pior ainda. A capital da China bateu em 180 (e chegou a alarmantes 900 microgramas no fim de 2015). Detalhe: o índice saudável é de 25. Daí surgiu essa demanda por ar engarrafado – e todo um mercado de marcas que prometem praticidade e até luxo. Afinal, é isso que o ar puro está se tornando nessas cidades.

Vai um arzinho aí?
Já tem garrafa para vários tipos de consumidores 

(Divulgação/Reprodução/Divulgação/Reprodução)

1. Aethaer
REQUINTE BRITÂNICO
Ela vende o cheirinho campestre de locais como Yorkshire, Wiltshire e Dorset. Um pote de vidro de 580 ml custa a bagatela de R$ 320. As garrafas, hermeticamente fechadas, são preenchidas com o uso de uma rede, sem processos mecânicos. Veja a “fabricação

2. Green And Clean
BEM-ESTAR AUSTRALIANO
A empresa oferece tanto o ar das Montanhas Azuis quanto a brisa costeira da Gold Coast. Toda essa versatilidade vem em garrafas pequenas e grandes, com preços que variam de R$ 35 a R$ 48, o que inclui uma máscara acoplada. Os potes rendem entre 130 e 225 inspirações

3. Vitality Air
ESTILO CANADENSE
As garrafas da Vitality Air, com ar de Banff e Lake House, nas Montanhas Rochosas canadenses, trazem máscara acoplada e vêm em duas versões, com 3 e 8 litros (R$ 23 e R$ 32 respectivamente) – a de 8 rende até 160 inspirações. A marca diz que seus consumidores são jovens descolados

Mas isso funciona?
Quantidade de ar na garrafa é insignificante

O produto é polêmico. “Não há fundamentação médica ou científica que comprove qualquer benefício. Mesmo que esse ar seja isento de material particulado ou gases tóxicos, seria um volume insignificante, comparado ao que inalamos todos os dias”, explica o doutor em pneumologia Gustavo Prado, especialista no impacto da poluição atmosférica na nossa saúde. Segundo ele, a cada ciclo respiratório nós inspiramos aproximadamente 500 ml. Como isso rola cerca de 16 vezes em um minuto, nós inalamos 8 litros de ar por minuto, 480 por hora e 11.520 por dia. Diante disso, o meio litrinho de uma garrafa não dá para nada.