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As maiores atrocidades de Josef Stalin

O ditador soviético colocou em prática sua mais célebre frase: "A morte de uma pessoa é uma tragédia; a de milhões, uma estatística"

Ilustra Felipe Cachopa
Edição Felipe van Deursen

 

FICHA CRIMINAL
Nome
– Joseph Vissarionovich Stalin (1878-1953)
Local de atuação – Antiga União Soviética
Mortes – 20 milhões de pessoas (estimativa com todas as atrocidades somadas)

(Felipe Cachopa/Mundo Estranho)

 

1. Ioseb Jughashvili nasceu em 18 de dezembro de 1878 na região de Tbilisi, capital da atual Geórgia, que na época fazia parte do Império Russo. Filho de um comerciante e de uma empregada, ele foi educado dentro da Igreja Ortodoxa. O jovem Ioseb era visto como uma pessoa intelectual e de mente idealista

2. Em 1903, Ioseb se juntou aos bolcheviques, uma facção do Partido Operário Social-Democrata Russo. Ele distribuía propaganda, participava da organização de greves e arrecadava fundos por meio de extorsões, roubos e inclusive assassinatos. Sua “produtividade” e carisma chamaram a atenção do partido, o que lhe rendeu uma ascensão-relâmpago. Em 1910, mudou de nome e passou a assinar textos como Stalin

3. Em 1917, Stalin foi um dos organizadores-chave da Revolução Russa, que derrubou o czarismo no país. O líder bolchevique, Lenin, instaurou um novo governo, e em 1922 a União Soviética foi criada. Ele morreu dois anos depois e foi sucedido por Stalin, que lançou uma política de repressão. A maioria dos antigos dirigentes bolcheviques, como Trotski, foi assassinada entre 1936 e 1940

4. A paranoia de Stalin se estendeu a seus subordinados e a simpatizantes infiltrados na sociedade soviética. Perseguições políticas por todo o país se tornaram comuns. Quem expressasse opinião contrária ao governo podia ser preso, executado ou enviado a campos de trabalho forçado

5. Essas áreas eram controladas pela Administração Central dos Campos (Gulag). As principais ficavam em regiões quase inacessíveis e com condições climáticas extremas. Isolamento, frio intenso, trabalho pesado, alimentação mínima e condições sanitárias precárias elevavam as taxas de mortalidade entre os presos

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6. Paralelamente à repressão, Stalin tocava uma plataforma de desenvolvimento agressiva. Em 1928, ele iniciou um plano que pretendia transformar o país, agrário e atrasado, em uma potência industrial. No ano seguinte, ele aboliu fazendas privadas e formou coletivos agrícolas, substituindo os camponeses com experiência no campo por ideólogos urbanos que não conheciam a terra. Rapidamente, as plantações sentiram o baque e a produção escasseou

7. Em 1932 e 1933, a Ucrânia, que funcionava como o celeiro da URSS, sofreu os horrores dessa política. Os soviéticos haviam desviado toda a produção ucraniana para alimentar o resto do país. O problema é que não sobrou nada para eles. Cerca de 5 milhões de pessoas morreram. A fome era tanta que houve relatos de canibalismo. A tragédia é conhecida como “Holodomor” (“extermínio pela fome”, em ucraniano)

8. Durante a 2ª Guerra (1939-1945), nas investidas do Exército Vermelho, atrocidades como estupros em massa e execução de prisioneiros e desertores eram razoavelmente comuns (aliás, eram comum dos dois lados do confronto). Mesmo em guerra, Stalin não poupava os mais chegados. Integrantes do governo e comandantes militares eram executados após julgamentos cheios de pompa. Eram demonstrações públicas de um regime do qual ninguém podia escapar

9. A saúde do ditador se deteriorou depois do fim da guerra. Em 1945, ele teve uma parada cardíaca. No dia 1º de março de 1953, Stalin foi encontrado no chão de seu quarto, todo molhado de urina. Ele sofreu uma hemorragia cerebral e foi levado às pressas ao hospital

QUE FIM LEVOU?
Stalin morreu em 5 de março de 1953 de um ataque cardíaco acompanhado de uma hemorragia gastrointestinal. Seus restos estão enterrados em Moscou

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FONTES Reuters, The Independent, BBCNews, The New York Times e Cambridge Journal of Economics; livros Stalin: A Biography, de Robert Service, Berlin: The Downfall 1945, de Anthony Beevor, e A Century of Violence in Soviet Russia, de Alexander Yakovlev