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Thug Buhram, o indiano que matou 125 em nome da deusa Cali

Em 40 anos, Thug Buhram estrangulou 125 pessoas e presenciou mais de 900 assassinatos em sacrifício à deusa Cali

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ILUSTRA Eduardo Belga

1) Os ancestrais de Buhram chegaram a Etawah, norte da Índia, no fim do século 16. Duzentos anos depois, já havia 440 famílias às margens do rio Yamuna. Os homens formavam gangues, conhecidas como tugues, para saquear viajantes.

2) Os tugues seguiam a religião que quisessem (havia sikhs e islâmicos, por exemplo), mas eram classificados como um culto hindu por dedicarem assassinatos a Cali, deusa da destruição, em troca de proteção.

 

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3) Expedições com 30 a 50 homens se distanciavam pelo menos 40 km da comunidade de origem e tinham como estratégia preferida atacar caravanas de estrangeiros. As gangues não se consideravam criminosas e eram respeitadas pelos vizinhos.

4) Antes do saque, os viajantes eram estrangulados com o rumal – lenço com tecido reforçado. Por volta de 1810, uma das vítimas escapou do ataque e, a partir daí, os tugues passaram a esfaquear os olhos dos estrangulados antes de se livrar dos corpos.

5) Como líder de gangue, Buhram ficava com a maior parte do roubo. A segunda maior fatia ia para quem dava um sumiço nos corpos – era comum esquartejá-los e lançá-los em poços. Em cerca de 200 anos, as gangues tugues teriam matado 100 mil pessoas.

 

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6) No fim do século 18, a Índia ficou sob domínio da Grã-Bretanha e a Companhia das Índias Orientais foi militarizada. Os ingleses investigaram os crimes das gangues, prendendo vários tugues.

7) Os ingleses também tinham informantes nas cidades dos tugues. Interrogatórios pesados e execuções dispersaram as gangues. Buhram foi capturado e entregou informações sobre o modo de vida das gangues e sobre o paradeiro de colegas.

 

Que fim levou?

Buhram colaborou com os oficiais britânicos, testemunhando em julgamentos de outros líderes tugues. Mesmo assim, o matador foi condenado à forca, em 1840