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Como é um ritual de necromancia?

Antigamente, rito tinha partes bem nojentas.

Ilustra Horácio Gama
Edição Felipe van Deursen

ATENÇÃO: Imagens escondidas!
Use óculos de lentes vermelhas para enxergá-las

REPORTAGEM “RITUAIS SOBRENATURAIS”
– Boneco vodu
– Golem judaico

– Oferenda aos orixás
– Cerimônia wicca
– Exorcismo islâmico
– Magia negra hindu

 

Ritual de necromancia

Em tese, todo ritual de contato com os mortos, de qualquer religião, pode ser chamado de “necromancia” – a palavra deriva da combinação de dois termos gregos, “nekrós” (cadáver) e “manteía” (profecia, adivinhação). A cerimônia mais tradicional vem dos próprios gregos antigos – é mencionada na Odisseia, de Homero. Na Antiguidade, outras religiões pagãs da Europa adotaram a necromancia, mas elas acabaram suplantadas pelo cristianismo. Mais recentemente, algumas linhas de seguidores do neopaganismo resgataram essa antiga prática. O ritual inclui formas bem nojentas de entrar em contato com a morte, como canibalismo.

Religião – Neopaganismo
Surgimento – Século 19, Norte da Europa
Onde é mais praticada – Europa, América do Sul, EUA e Austrália
Praticantes – 3 milhões

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(Horácio Gama)

1. RODA DE FOGO

Geralmente conduzido por uma mulher, o ritual é realizado à noite, em um lugar plano e aberto. Diante de uma pira acesa, a sacerdotisa traça um círculo em volta de si e de quem acompanha o evento. Não é permitida a presença de muita gente, a não ser o cliente (a pessoa que contratou o serviço para contatar um morto específico) e poucos convidados dele

2. OFERENDAS

O contratante leva animais para serem sacrificados (preferencialmente ovelhas negras), roupas e joias que pertenceram ao falecido e, sempre que possível, um pedaço de seu cadáver, como mão ou perna. É preferível que a pessoa tenha morrido há pouco tempo – assim, ela ainda estaria próxima do plano dos vivos e mais fácil de ser localizada

3. COZIDO CANIBAL

Para se aproximar do mundo dos mortos, a sacerdotisa veste as roupas e as joias do morto. Se houver um pedaço do corpo, ela deve cozinhar e fazer um guizado. Mas essa prática antiga é muito rara hoje em dia. É mais comum encarar algum alimento estragado, como pão embolorado. Beber o sangue do animal sacrificado também ajuda no processo

4. CANTORIA MALUCA

Depois de comer o alimento podre (ou a carne humana), a sacerdotisa invoca o morto e começa a cantar em busca de um estágio de transe. O processo costuma durar várias horas, até que ela consiga contatar o espírito. Em alguns casos, mais pessoas tocam instrumentos musicais para ajudar a atingir o nível elevado de consciência

5. MENSAGENS NA CABEÇA

Quando, finalmente, entra no transe completo e localiza o alvo, a sacerdotisa começa a ouvi-lo em sua cabeça. Eles conversam. Apenas ela ouve o que o espírito diz. Os demais podem fazer perguntas, que ele responde apenas à sacerdotisa. Se o processo demorar demais e o dia clarear, o ritual é interrompido e retomado novamente à noite

 BATE-PAPO RESTRITO

Em geral, a comunicação segue o princípio dos gregos, que não acreditavam que os espíritos sabiam de tudo. Então, em vez grandes questões do tipo “Qual o sentido da vida?” ou “Deus existe?”, pergunta-se coisas mais objetivos e relacionadas à pessoa invocada, como de que forma ela morreu, quem a matou, como estão as almas perto dela etc.

 

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(Horácio Gama)