Logo ME

Até quanto vai a escala Richter?

Pode até soar assustador, mas, matematicamente, ela não tem limite. Na prática, o maior terremoto registrado aconteceu no Chile, em 1960, e chegou a 9,5 graus nessa medição. O abalo foi provocado pelo contato entre placas tectônicas ao longo de 965 km da costa chilena, mas como essa zona de atrito poderia ser maior, os graus podem subir indefinidamente. “Medimos sismos há pouco tempo (desde 1900) para estabelecer esse valor máximo”, afirma Afonso Vasconcelos, professor de geofísica da USP. Em 1998, cientistas detectaram um terremoto no Sol com magnitude equivalente a 11,3 graus. Na Terra, um sismo dessas proporções chacoalharia o chão 90 vezes mais do que no tremor chileno.

MEDIDAS DRÁSTICAS

Conheça outras escalas usadas para medir fenômenos (e seus estragos)
SEGURA A ONDA

ESCALA Beaufort

CRIAÇÃO 1805

Mede a velocidade de ventos em terra firme, mas foi feita para ajudar navegantes. Quando o mar parece um espelho, registra-se o nível mais baixo. Já no estágio máximo, o 12, as ondas têm mais de 14 m e a visibilidade é nula por causa da espuma e dos borrifos d’água. No nível 9, que você confere na figura, os ventos ficam entre 76 e 87km/h

CALADA NOITE PRETA

ESCALA de Bortle

CRIAÇÃO 2001

Mede a escuridão da noite e a visibilidade das estrelas. Começa pelo paraíso dos observadores: céu bem escuro e só a luminosidade natural da atmosfera. No último nível (9), fica a cidade grande, com poucos astros visíveis. Aqui, retratamos o nível 5: mesmo com alguma claridade, dá para ver a Via Láctea no horizonte

INSÍPIDA, INODORA… E SÓ

ESCALA Forel-Ule

CRIAÇÃO 1889

Esta serve para classificar a cor da água, indicando sua qualidade e os materiais dissolvidos nela. A medição é feita pela comparação do líquido testado com pequenos vidros de água colorida, que variam do azul ao marrom, passando por tons de verde e amarelo. Entre as 21 cores usadas, um mar azul como este entra no patamar 6

DE GRÃO EM GRÃO

ESCALA de Wentworth

CRIAÇÃO 1922

Existe medição até para tamanho de partículas. A tabela vai de grãos que medem no máximo 4 micrômetros (argila) até os que passam de ínfimos 256 milímetros (matacão). A areia, por exemplo, fica no nível 3, entre 60 micrômetros e 2 mm

É O ARMAGEDOM

ESCALA de Turim

CRIAÇÃO 1999

Categoriza o risco de colisão entre um asteroide (ou cometa) e a Terra. Impactos muito

improváveis são indicados pela cor branca. No extremo oposto está o vermelho, só para

desastres certos, que ameaçariam o futuro da civilização. Mas fique tranquilo: uma catástrofe dessas acontece só uma vez a cada 100 mil anos

E O VENTO LEVOU

ESCALA de Fujita

CRIAÇÃO 1971

Avalia os estragos de um tornado. Vai do F0, com ventos que não passam de 117 km/h, ao F5, com intensidade suficiente para levantar carros e destruir prédios. Como o tamanho não determina a intensidade, é possível que um tornado F3 (como este da ilustra) seja pequeno e potente, chegando a arrancar árvores do chão

ABALOU BANGU

ESCALA de Mercalli

CRIAÇÃO 1902

Também ligada aos terremotos, ela quantifica o estrago causado pelo tremor. Enquanto a Richter é mais científica, esta guia-se pela mera observação. Vai do sismo que nem é sentido (nível I) à destruição total (nível XII). O tremor de 7 graus que atingiu o Haiti, em janeiro do ano passado, ultrapassou o nível X. Nesta ilustração, você confere o nível VII

PERIGO RADIOATIVO

ESCALA Internacional de Eventos Nucleares

CRIAÇÃO 1990

Defi ne a gravidade de uma catástrofe nuclear, na própria usina ou durante o transporte ou utilização da radiação. O primeiro grau classifica um pequeno contato com o material atômico. Já o pior nível, o 7, equivale ao desastre de Chernobyl, na ex-URSS, que expôs 8,4 milhões de pessoas à radiação só na principal região afetada, em 1986

Com 2,7% de chance de bater na Terra, o asteróide Apophis chegou ao nível amarelo da tabela, patamar mais alto já registrado

FONTES ONU (Organização das Nações Unidas), Nasa (Agência Espacial Americana), ESA (Agência Espacial Europeia), USGS (Serviço Geológico dos Estados Unidos), Departamento de Engenharia de Minas da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), revista Sky and Telescope