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Teoria da conspiração: por que o papa Bento 16 renunciou?

Ele alegou estar velho e cansado demais para o mais alto cargo da Igreja Católica. Mas há quem acredite em grandes complôs contra o pontífice.

Sugestão do leitor Domingos Del Omo Filho, Sorocaba, SP
Ilustra Estevan Silveira
Edição Felipe van Deursen

(Estevan Silveira/Mundo Estranho)

1. FALTA DE SEGURANÇA
O papa abdicou do trono da Igreja em fevereiro de 2013, um ano após seu mordomo pessoal, Paolo Gabriele, vazar à imprensa documentos privados do Vaticano, no caso conhecido como “Vatileaks”. O cardeal Francis Arinze, amigo do papa, disse à TV que isso abalou a confiança de Bento 16 em seus aliados, o que teria motivado sua saída de cena

 

(Estevan Silveira/Mundo Estranho)

2. MÁS COMPANHIAS
Um dos documentos se chamava “lobby gay”. Ele supostamente revelava que o secretário de Estado do Vaticano, Tarcisio Bertone, lideraria um poder paralelo, que ignorava decisões do papa, como punir padres pedófilos (a maioria gay, segundo a Igreja – daí o nome do arquivo). O complô usaria o Banco do Vaticano em esquemas de corrupção de políticos e mafiosos

 

3. POUCO CARISMA
Em 2013, o ex-frade brasileiro Leonardo Boff, que estudou com Bento 16 na Universidade de Munique, na Alemanha, disse em uma entrevista que o colega é um intelectual, que renunciou por se sentir frustrado. De acordo com Boff, a Igreja precisava de um pastor, não de um professor pouco carismático como ele

 

(Estevan Silveira/Mundo Estranho)

4. ACERTO DE CONTAS
Para o britânico Geoffrey Robertson, autor de O Papa É o Culpado?, a renúncia era uma compensação da Igreja pelos abusos que teria negligenciado durante a era Bento 16. Em 2011, o Tribunal Penal Internacional recebeu uma queixa contra o papa e três cardeais por ocultação de crimes sexuais contra crianças em todo o mundo. O Vaticano não se pronunciou

 

(Estevan Silveira/Mundo Estranho)

5. CADEIA À VISTA
O Tribunal Internacional para Crimes da Igreja e do Estado, órgão independente com poderes para condenar líderes políticos criminosos, alegou que o papa renunciou para não ser preso. Entre as justificativas está o suposto envolvimento de Bento 16 em atividades criminosas do Banco do Vaticano, como lavagem de dinheiro e formação de quadrilha

 

(Estevan Silveira/Mundo Estranho)

6. MORTE PREMEDITADA
Em janeiro de 2012, o cardeal colombiano Darío Hoyos entregou uma carta ao papa em que outro cardeal, Paolo Romeo, afirmava ter ouvido um complô para assassinar Bento 16. Ela não mencionava quando nem como, mas o plano estaria ligado ao conflito entre o papa e Bertore. O conteúdo foi divulgado pelo jornal romano Il Fatto Quotidiano

 

(Estevan Silveira/Mundo Estranho)

7. REVOLUÇÃO ESPIRITUAL
Assim que o papa Francisco assumiu, Bento disse à agência de notícias católica Zenit que vivenciou uma experiência mística, durante a qual Deus havia inspirado nele um desejo absoluto de dedicar sua vida à oração, em vez de continuar como papa. “Foi a vontade de Deus”, afirmou

 

(Estevan Silveira/Mundo Estranho)

8. PROFECIA CRISTÃ
Desde 1929, quando o Estado do Vaticano foi oficializado, todo papa passou a ser declarado rei. Bento 16 foi o sétimo dessa lista. O Apocalipse, na Bíblia, diz que o sétimo rei profético (ou papa) teria um mandato de transição: “Quando vier, convém que dure um pouco de tempo”

Por outro lado…
Verdades e fé se misturam na difusão da teoria

  • O papa assumiu o controle da Igreja em um momento conturbado, em que um número considerável de sacerdotes de alto escalão do Vaticano integrava um governo corrupto e dividido pelo poder
  • O próprio papa Francisco admitiu certa vez: “A corte é a lepra do papado”. O sucessor de Bento 16 chamou a cúria de narcisista e egoísta
  • Federico Lombardi , porta-voz do Vaticano à época da renúncia, explicou que a Igreja precisava de um papa com mais energia física e espiritual
  • Em 2010, Bento 16 escreveu o livro Luz do Mundo: O Papa, a Igreja e os Sinais dos Tempos, em que deixou em aberto a possibilidade de renunciar caso não se sentisse capaz
  • Já no livro As Últimas Conversas, lançado em 2016, ele afirmou não ter sofrido pressões para renunciar, mas que o “lobby gay” do Vaticano tentou influenciar decisões
  • O papa foi duramente criticado pelo seu silêncio em relação ao escândalo de casos de pedofilia pelo mundo
  • Em 2012, o Departamento de Estado dos EUA colocou, pela primeira vez, o Vaticano na lista de Estados potencialmente suscetíveis a lavagem de dinheiro
  • A profecia sobre o sétimo rei profético de transição também afirma que o líder seguinte seria o último. Ou seja, o fim do mundo vem aí?

FONTES Livros Os Papas, de Richard McBrien; BBC, Folha de S.Paulo, O Globo e La Repubblica