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Nero, o imperador romano insano

Ele pode até não ter incendiado Roma. Mas fez uma porção de outras atrocidades

Sugestão do TdF Samuel Guterman
Ilustra Wildner Lima
Edição Felipe van Deursen

Criado em um ambiente de intriga e ameaças, um dos tiranos mais sanguinários de Roma governou na base da loucura

FICHA CRIMINAL

NomeNero Cláudio César Augusto Germânico (37-68)
Local de atuação – Império Romano
Mortes – Mais de 5.700*

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(Wildner Lima)

1. Nero nasceu da união do cônsul Cneu Enobardo com Agripina, irmã do imperador recém-empossado, Calígula. Cneu foi acusado pelo antecessor de Calígula, Tibério, de traição, mas escapou das acusações. Ele morreu quando Nero tinha 2 anos. Agripina é suspeita de ter envenenado os dois homens com que se casaria depois

2. Após a morte de Calígula, Cláudio foi coroado imperador. Ele casou com Agripina e adotou Nero, que, assim, acabou tragado para o centro do poder. Britânico, filho de sangue de Cláudio, foi preterido na política. Nero, que era mais velho, tornou-se procônsul aos 14 anos e subiu ao trono aos 17, com a morte de Cláudio, no ano 54

3. Aqui começam as atrocidades. Alguns historiadores apontam Nero e sua mãe como os responsáveis por um suposto envenenamento do imperador. No poder, Nero continuou a postura assassina. Políticos que se opusessem ao governo eram acusados de conspiração e executados. Foi o caso de três opositores ferrenhos, Plautus, Sulla e Pallas

4. Nero se distanciou da mãe, que passou a apoiar Britânico na política. Convenientemente, no dia em que a emancipação de Britânico, então com 14 anos, foi marcada, o vinho dele foi batizado com veneno. Nero registrou a morte do oponente como um mero ataque epilético

5. A paciência de Nero com a mãe acabou. Ele tentou forjar sua morte em um acidente de barco, mas Agripina escapou. Depois, Nero encomendou o assassinato a seu tutor, Anicetos, que matou a matriarca e fez parecer suicídio. A fidelidade a Nero não serviu de nada, e Anicetos acabou banido de Roma sob a acusação de adultério

6. O imperador anulou gradativamente o poder do senado para agir como quisesse. Em casa, também aprontou. Divorciou-se da primeira esposa, Cláudia Otávia, ao acusá-la de infertilidade. Ela foi exilada e executada. Na sequência, Nero se casou com Pompeia Sabina e a matou a pontapés três anos depois

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(Wildner Lima)

7. Com uma campanha militar bem organizada, Nero reprimiu invasões do Império Parta, uma potência da Pérsia. Após sucessivas derrotas, os partas se renderam a Roma, que passou a controlar seus territórios. A paz entre Parta e Roma se manteve por mais de 50 anos, e a expansão romana reforçou a estabilidade política de Nero entre 58 e 63

8. Nero era intolerante com o cristianismo, religião que ele considerava supersticiosa e ameaçadora. Durante seu reinado, cristãos foram perseguidos, torturados e mortos. Por isso, há estudos que dizem que o número 666 é um código para se referir a Nero, que passou a ser visto por muitos cristãos ao longo dos séculos como uma encarnação do anticristo

9. Iniciado em um depósito de material inflamável no Circo Máximo, o incêndio de Roma, em 64, afetou dez dos 14 distritos romanos. O historiador romano Suetônio acusou Nero, cujo objetivo seria construir um novo complexo de palácios. Para outro historiador romano, Tácito, foram os romanos que incendiaram a cidade, ao perseguir os cristãos

10. Revoltas em territórios importantes, como a Gália, abalaram o poder de Nero. Os governadores locais se aliaram e enfrentaram a capital. As rebeliões se tornaram insustentáveis, e o governador da Hispânia se autodeclarou imperador. Sem apoio da Guarda Pretoriana, que protegia os líderes romanos, Nero tentou se matar, mas não teve coragem

QUE FIM LEVOU?
Nero ordenou que seu secretário o matasse com uma lâmina, em 9 de junho de 68. Ele foi enterrado onde hoje fica o parque Villa Borghese, em Roma

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FONTES Livros The History of the Decline and Fall of the Roman Empire Vol.1, de Edward Gibbon, The Life and Principate of the Emperor Nero, de Bernard W. Henderson, Suetonius Vol.I, Complete Works of Tacitus e The Lives of 12 Caesars, de Suetônio