Mundo Estranho

Como as pérolas se formam?

por Laura Folgueira | Edição 115

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Elas são a reação das ostras a um intruso em sua concha. A pérola é o resultado de uma espécie de defesa de organismo do molusco a um invasor – organismo externo que pode ser desde um grão de areia até um parasita. Nem todas as ostras formam pérolas, somente as perlíferas que fazem parte das famílias Pteriidae (de água salgada) e Unionidae (de água doce). E também não são todas as pérolas que têm valor comercial – apenas as que saem bem redondinhas.

A maioria delas, porém, cresce grudada na concha da ostra, como se fosse uma verruga, e fica em formato de meia esfera, o que tira dela a chance de ser vendida.

MECANISMO DE PROTEÇÃO

A joia defende a ostra dos invasores. A entrada de “invasores”, como vermes e plânctons, grãos de areia, pedaços de rocha ou coral, gera uma espécie de irritação – um processo que a ostra usa para se defender desse novo organismo. Essa reação visa defender o manto, um tecido muito fino, com várias linhas musculares, presente em ostras e mariscos. Ele cobre todo o corpo do animal e protege seus órgãos, como coração e intestinos, chamados de “partes moles”.

O manto cobre o invasor com várias camadas de uma substância chamada madrepérola, ou nácar, composta de carbonato de cálcio (cerca de 93%), água, proteína (a conchiolina) e partículas que dão, por exemplo, a cor à pérola. O processo leva em média três anos. Não há tamanho máximo alcançado por uma pérola: ela geralmente é retirada com 12 mm de diâmetro, mas seria capaz de atingir até cerca de 3 cm. Mais do que isso, poderia deformar a concha e matar a ostra.

Dá para cultivar pérolas: uma bolinha de plástico ou um pedaço de molusco são colocados na ostra para provocar o processo

CADA UMA, CADA UMA

Só 2% das pérolas são redondas. E elas têm várias cores. A cor rosa, vermelha ou azul deve-se a detritos, proteínas ou à cor interna da concha. A mais rara é a negra, do Tahiti e das ilhas Cook.

As pérolas mais comuns são as semirredondas. Ainda há as que crescem em forma de lágrima, gota, cone ou a barroca, bem irregular.

FONTES Vanessa Simão, especialista em moluscos; Luiz Ricardo L. Simone, Museu de Zoologia de São Paulo; e Carlos Henckes, presidente Instituto dos Conquiologistas do Brasil

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