Mundo Estranho

Como era a vida das gueixas?

por Sheyla Miranda | Edição 115

Geisha-Hiroshige

Era – e é – bastante regrada, com um treinamento rigoroso para que elas desempenhem com perfeição sua função. Basicamente, a missão delas é a mesma desde o século 18: transformar reuniões profissionais ou sociais de homens poderosos em momentos extremamente agradáveis. Em japonês, gueixa significa “praticante da arte”. No auge da popularidade, perto de 1900, havia 25 mil no Japão. Hoje são cerca de mil.

Consideradas um marco da cultura tradicional japonesa, elas ficam ofendidas ao serem confundidas com prostitutas. Para não haver enganos, amarram seus quimonos nas costas (as profissionais do sexo o fazem na frente). Uma curiosidade: no século 17, as primeiras gueixas eram... “gueixos”! Isso porque as restrições sociais da época não permitiam que diversão e entretenimento fossem oferecidos por mulheres.

RIGOROSO PADRÃO

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TROCA DE FAMÍLIA

As garotas costumavam seguir para os oky-ias (a casa das gueixas) com 6 anos. Hoje, vão por volta dos 15. Lá, viram maikos (aprendizes) e ganham outro nome. Além disso, “trocam de família”: a okasan (dona da oky-ia) assume o papel de mãe e as outras gueixas, de irmãs.

TRABALHO DURO

Na casa, as maikos fazem as tarefas domésticas e têm duas folgas mensais. Por quatro ou cinco anos, estudam diariamente instrumentos japoneses, como o shamisen (espécie de violão), canto, dança, línguas e até política internacional.

CHÁ COM CERIMÔNIA

As aprendizes também aprendem a falar e a andar graciosamente – equilibrando-se sobre altos tamancos de madeira. Há ainda ensinamentos sobre como servir bebidas delicadamente, sem molhar a manga do quimono. Os mestres são geralmente gueixas aposentadas bastante severas.

PENTEADOE PINTURA

As aprendizes levam horas fazendo o penteado e, para não desmanchá-lo, dormem sobre um tijolo de madeira (gueixas mais velhas podem usar peruca). As moças produzem a tinta branca para pintar rosto, pescoço e parte do tórax, ritual que consome pelo menos uma hora diária.

“NÃO VEJO NADA”

As gueixas devem fazer de uma reunião um sucesso. São contratadas por homens que querem fazer negócios e se divertir. Servem bebidas e comidas, cantam, dançam, conversam – nada de sexo. O código de ética exige a confidencialidade. Nada do que escutam pode ser comentado.

Gueixas podem ter “patrocinadores”: clientes assíduos que pagam caro por exclusividade. Alguns se tornam amantes e podem ter filhos.

SUPERQUIMONOS

Quando está pronta, a aprendiz ganha o status de geiko – e vários quimonos. O das maikos tem cauda, colarinho estampado, mangas enormes e obi (cinturão) largo em cascata nas costas. O da geiko é discreto, com colarinho branco e bordados suaves. Feitos de seda, custam cerca de US$ 10 mil. Um funcionário da casa as ajuda a vesti-los.

Uma sessão custa, em média, US$ 6 mil. As gueixas marcam o tempo do serviço com a ajuda de um incenso que queima em duas horas.

SERVIÇAIS FAMOSAS

A vida dessas profissionais já foi contada em livros, filmes e peças. A ópera Madame Butterfly conta sobre Cho-cho, uma gueixa real que se apaixonou por um oficial americano.

A mesma história de Cho-cho serviu de base para o musical Miss Saigon, um sucesso nos anos 1980. Mineko Iwasaki, a musa do livro e do filme Memórias de uma Gueixa, vive até hoje nos Estados Unidos.

Morreu em 2004 Kiharu Nakamura, considerada a última gueixa após a ocidentalização do Japão.

FONTES Cristiane Sato, consultora de cultura japonesa, Especial Revista NATIONAL GEOGRAPHIC, Especial Revista AVENTURAS NA HISTÓRIA, documentário As Gueixas e livro Gueixa, de Lisa Dalby

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