Mundo Estranho

Como será seu corpo daqui a 100 anos?

por Tiago Cordeiro | Edição 112

Mais alto, mais precoce e mais tecnológico. Nos próximos 100 anos, a humanidade vai seguir um padrão que já foi identificado atualmente. Vamos viver melhor e por mais tempo (a expectativa de vida no Brasil será de 84,3 anos, contra 73,2 hoje). A altura média dos homens vai aumentar, dos atuais 1,75 m para 1,79 m. Nas meninas, a data da primeira menstruação (que foi de 15 anos, em 1900, para 12 anos, em 2011) vai acontecer aos 10 anos, e o organismo vai estar plenamente desenvolvido com 16 (hoje é aos 18). Quem nasceu com a pele clara vai dispensar o bronzeado de praia porque o sol mais forte será perigoso

Minúsculas revoluções

O futuro é da clonagem, da nanotecnologia e dos chips no corpo

NÓS, ROBÔS

Ainda vai demorar uns 30 anos, mas a nanotecnologia promete mudar para sempre nosso corpo. Robôs microscópicos prevenirão o câncer ao evitar a multiplicação das células que sofrerem mutações indesejadas. Também vão circular nas veias e artérias, minimizando casos de infarto e AVC. "A grande inovação dessa tecnologia é atuar no nível celular, em que toda doença começa", diz Robert Freitas Jr., do Institute for Molecular Manufacturing

O FIM DOS TRANSPLANTES

Além de braços e pés, peças fabricadas poderão substituir certos órgãos, como o coração (que nada mais é do que uma bomba bem sincronizada). Rins e pulmões, porém, têm uma estrutura muito mais complexa. Nesses casos, o problema será resolvido com uma impressora de órgãos em 3D, cujo protótipo já funciona no Instituto de Medicina Regenerativa da Universidade Wake Forest, nos EUA

PÍLULAS ESPERTAS

Você vive esquecendo aquele remédio que sua mãe mandou você tomar três vezes ao dia? No futuro, as cápsulas vão ficar no estômago e liberar o medicamento na dosagem e no horário certos. E nem vamos ter que esperar 100 anos para ver isso acontecer: já existem projetos em fases adiantadas de teste. Uma delas está sendo desenvolvida pela Philips

CONSTRUA SEU FILHO

Muita gente não vai aceitar, mas, daqui a 100 anos, a clonagem humana será uma realidade. "Em muitos países, certamente essas técnicas nem serão permitidas. Mas não há dúvida de que a tecnologia vai estar disponível", diz Paul Yock, pesquisador de biodesign de Stanford. Os pais terão a chance de selecionar, antes do nascimento, as características dos filhos - que poderão ser bem diferentes da geração anterior

BELEZA MAGRA

O conceito de beleza já mudou bastante - os antigos romanos, por exemplo, gostavam de pessoas cheinhas. Nas últimas décadas, o Ocidente passou a cultuar a magreza, e o mundo veio atrás. Tudo indica que o magro continuará sendo valorizado. A atual "epidemia de obesidade" será combatida como se faz atualmente com o cigarro: campanhas públicas e muitos impostos sobre alimentos doces e gordurosos

FAZENDO SUA CABEÇA

Hoje já é possível controlar o funcionamento do cérebro usando correntes elétricas que corrijam conexões falhas. No futuro, isso vai ser feito com o uso de chips implantados na cabeça, indicados principalmente para casos de epilepsia. Eles também estarão disponíveis para outras funções - recentemente um canadense sem noção inseriu no braço uma peça eletrônica que abre a porta de sua casa automaticamente

EM TERRA DE CEGO...

Em 2111, só países muito pobres ainda terão deficientes visuais. Isso porque, neste exato momento, já há versões iniciais de olhos biônicos, que capturam a luz e enviam as informações visuais para o cérebro. Nos próximos anos, elas estarão ainda mais avançadas, assim como as cirurgias a laser para correções oftalmológicas. Pode dizer adeus aos óculos de grau!

MUNDO CYBORG

Cadeiras de rodas também vão desaparecer. Próteses atuais já concedem um bom grau de mobilidade - daqui a um século, também serão capazes de simular perfeitamente a textura e a temperatura dos membros originais. Teremos dedos artificiais altamente articulados e chips que "ensinam" os músculos. "É possível até que esses implantes sejam adaptados para fins estéticos ou para dar mais força", diz a engenheira biomédica Jennifer Elisseeff, pesquisadora da Universidade Johns Hopkins

• Desodorante e talco antichulé vão ser coisa do passado. Com a nanotecnologia, as roupas (incluindo as meias) vão controlar a emissão de odores

FONTES Robert Freitas Jr., pesquisador do Institute for Molecular Manufacturing; Jennifer Elisseeff, engenheira biomédica da Universidade Johns Hopkins; Paul Yock, pesquisador de biodesign da Universidade Stanford; IBGE

 

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