Mundo Estranho

O que é o escudo antimísseis que os EUA querem construir na Europa?

por Danilo Cezar Cabral | Edição 84

É um sistema de defesa que os americanos pretendem montar para detectar e abater mísseis lançados por inimigos. O projeto tem causado polêmica e incomodado principalmente a Rússia. É que algumas das bases do escudo seriam instaladas perto desse país - na Polônia e na República Checa -, deixando os russos desconfiados de que estariam expostos à espionagem dos americanos. Os Estados Unidos alegam existir uma brecha nas suas defesas antimísseis intercontinentais na área em que o escudo atuaria. Hoje, a principal ameaça viria do Irã e da Coreia do Norte, países que não se bicam com os Estados Unidos. Segundo algumas agências de inteligência americanas, em seis anos os iranianos terão desenvolvido uma tecnologia capaz de fazer seus mísseis atingir forças americanas e de aliados no sul da Europa. Por enquanto, nem o governo checo nem o polonês aceitaram totalmente o projeto, mas seguem negociando. Para fazer pressão contrária, a Rússia já ameaçou deixar seus mísseis apontados para a Europa caso o projeto saia do papel. Como alternativa, os russos também já sugeriram um outro plano: um sistema de defesa conjunto com os americanos, mas com a instalação de bases em outros locais. A polêmica ainda está longe de chegar ao fim! :-O

SIMULADÃO DE DEFESA

Entenda como o escudo poderia ser usado para abater um míssil inimigo

As principais instalações do escudo antimíssil estariam em três países na Europa: Inglaterra, Polônia e República Checa. O sistema do escudo envolveria bases com radares, plataformas para lançar mísseis interceptadores e satélites. Em um ataque hipotético, com um míssil partindo do Irã contra alvos americanos ou de seus aliados na Europa, a base de radar na República Checa seria a primeira a detectar a ameaça. Seria o início de funcionamento do escudo.

Alertada pelos checos, a base na Inglaterra entraria em ação. Com um sistema de rastreamento mais poderoso, ela ajudaria a seguir o míssil inimigo, calcular sua velocidade e a rota. Ela ainda faria o contato direto com os EUA. Conectado ao sistema, um satélite de defesa também rastrearia o míssil, enviando dados atualizados sobre ele. A triangulação de informações entre as bases de radares e o satélite permitiria um acompanhamento mais preciso do míssil.

O sinal verde para acionar a interceptação do alvo teria que ser enviado pelo Comando de Defesa Aeroespacial americano, que fica nos EUA, no estado do Colorado. Essa autorização seria recebida pela base na Inglaterra. Após o sinal verde do comando americano, o contra-ataque partiria da base na Polônia, onde estariam instalados dez mísseis interceptadores. Mais de um míssil poderia ser disparado, garantindo maior segurança de que o alvo inimigo seria abatido.

ALERTA GERAL

Americanos estão prontos para se defender por terra, céu e mar

TERRA

Os EUA têm plataformas fixas de mísseis interceptadores espalhadas por todo o globo, algumas equipadas com radares de detecção. Em terra ainda existem os sistemas móveis de defesa: lançadores de mísseis montados em caminhões de grande porte.

AR

Os aviões AWACS têm um poderoso radar capaz de varrer mais de 320 km à sua volta. Mas eles apenas localizam possíveis mísseis inimigos, que precisam ser abatidos por outros tipos de aviões militares, como os caças.

MAR

Os destróieres americanos são navios que podem ter um pacote completo de defesa: radares de detecção, armas antimísseis e grande mobilidade. Os submarinos também servem como bases de lançamento antimíssil.

INTERCEPTA ÇÃO ESPACIAL

A trajetória de um míssil balístico intercontinental tem várias etapas. Os sistemas de defesa tentam abatê-lo nas fases de ascensão e descida, quando ele está na exosfera - camada mais externa da atmosfera -, a mais de 400 quilômetros do solo.

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