Mundo Estranho

O que foi a Bauhaus?

por Thaís Sant’ana | Edição 115

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Foi uma escola de artes fundada em 1919 pelo arquiteto Walter Gropius, em Weimar, Alemanha, que unificou disciplinas como arquitetura, escultura, pintura e desenho industrial. Ela revolucionou o design moderno ao buscar formas e linhas simplificadas, definidas pela função do objeto – um visual “clean”, que você encontra hoje, por exemplo, nos produtos da Apple. Antes de ser fechada por Adolf Hitler, em 1933, a escola teve três fases, marcadas por diretores, sedes e ênfases diferentes.

Gropius ficou no comando até 1927. Hannes Meyer assumiu até 1929, com a escola já na cidade de Dessau, e cedeu o cargo a Mies van der Rohe, com a instituição realocada em Berlim. Conheça o legado deles a seguir.

A FUNÇÃO É FUNDAMENTAL

Conheça os principais nomes da Bauhaus

COMO ERA...

As características do movimento

O nome é uma junção de “bauen” (“para construir”, em alemão) e “haus” (“casa”)

Interligação com todo tipo de arte, até as consideradas“inferiores”, como cerâmica, tecelagem e marcenaria;

Uso de novos materiais pré-fabricados;

Simplificação dos volumes, geometrização das formas e predomínio de linhas retas;

Paredes lisas e, geralmente, brancas, abolindo a decoração;

Coberturas planas, transformadas em terraços;

Amplas janelas, em fita, ou fachadas de vidro;

Abolição das paredes internas (como nos lofts)

O FUNDADOR

WALTER GROPIUS (1883-1969)

Principais projetos: A fábrica Fagus, em Alfeld, Alemanha (1911), a sede da Bauhaus , em Dessau, Alemanha (1925), e o pavilhão da Pensilvânia para a Exposição Universal de Nova York (1939).

Criou a Bauhaus ao fundir duas outras escolas, a de Artes Aplicadas e a Academia de Belas-Artes da Saxônia, após a Primeira Guerra Mundial. Seu período na direção, de 1919 a 1927, ficou conhecido como “anárquico expressionista”, já que sua proposta unificadora desafiava várias tradições.

A fábrica Fagus, em Alfeld an der Leine, na Alemanha, acaba de virar patrimônio mundial da Unesco.

O FUNCIONALISTA

HANNES MEYER (1889-1954)

Principais projetos: Petersschule , em Basel, Suíça (1926), e a sede da Liga das Nações, em Genebra, Suíça (1926-1927), mas ambos não saíram do papel.

Para o sucessor de Gropius, o processo de construção tinha de levar em conta as necessidades humanas – biológicas, intelectuais, espirituais e físicas. Por isso, o funcionalismo e o conforto passaram a ser levados tão a sério a partir de então. Embora Meyer fosse arquiteto, foi sob seu comando que o design industrial ganhou evidência na Bauhaus.

O SIMPLISTA

MIES VAN DER ROHE (1886-1969)

Principais projetos: Pavilhão alemão para a Exposição Internacional de Barcelona (1929), Promontory Apartments, em Chicago (1951), e Seagram Building, em Nova York (1956-1959).

Antes fã do estilo neoclássico, converteu-se à simplicidade da Bauhaus e cunhou a frase “menos é mais”. Último diretor da escola, ficou famoso por usar muito vidro e aço em seus arranha-céus.É considerado um dos arquitetos mais importantes do século 20.

O DESIGNER

MARCEL BREUER (1902-1981)

Principais projetos: Cadeira Wassily (1925-1926) e Short Chair (1936). Foi designer e arquiteto, mas se destacou mesmo pela produção de mobiliário. Um de seus toques revolucionários foi o amplo uso de tubos de metal. Considerado por alguns críticos um dos “últimos verdadeiros arquitetos funcionalistas”, no fim da carreira foi para os EUA e passou a projetar grandes prédios ao lado de seu ex-professor, Van der Rohe.

O TIPÓGRAFO

HERBERT BAYER (1900-1985)

Principal projeto: O alfabeto universal Sturm Blond (1925).

Os princípios de geometrização e funcionalismo também prevaleceram na tipografia – a arte de criar fontes de letras (como a Times New Roman e a Arial). Bayer bolou uma espécie de alfabeto universal, só com letras minúsculas e reduzidas às formas gráficas mais simples possíveis. Seu argumento? Quando falamos, não existe “maiúsculas” ou “minúsculas”...

 

...E COMO FICOU

Onde você encontra a influência deles

Nas linhas funcionais e “clean” dos produtos da Apple;

Em cidades planejadas, como Brasília;

Nas obras de Oscar Niemeyer, que sempre privilegiou formas geométricas e cores brancas;

Em prédios como o da Escola Superior de Desenho Industrial, no Rio de Janeiro, do Instituto de Arte Contemporânea de SP e da Faculdade de Arquiteturae Urbanismo, da USP;

Na identidade visual de bandas como Franz Ferdinand.

FONTES Pedro Luiz Pereira de Souza, da Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi)

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