Mundo Estranho

Quais são as aranhas mais perigosas?

Os acidentes mais graves e freqüentes em todo o planeta são provocados por cinco tipos de aranha: viúva-negra, aranha-marrom, armadeira e dois tipos de caranguejeiras que, por serem muito parecidas, são conhecidas como aranha teia-de-funil ou funnel-web spider, em inglês. As três primeiras são largamente encontradas no Brasil, enquanto as outras duas vivem basicamente na Austrália. "Embora a picada desses animais raramente leve à morte, a pessoa atingida deve procurar imediatamente atendimento médico", afirma o biólogo Rogério Bertani, do Laboratório de Artrópodes do Instituto Butantan, em São Paulo. Acidentes envolvendo aranhas são muito comuns no Brasil, que abriga 4 mil diferentes espécies. A armadeira, por exemplo, ataca cerca de 500 pessoas por ano apenas no estado de São Paulo. Essa aranha costuma viver em áreas florestais - como na Amazônia e em regiões remanescentes de Mata Atlântica - e sua picada é muito dolorida.

A marrom, responsável por cerca de 50 ocorrências em São Paulo, é mais comum na região Sul do país. Seu veneno age de forma lenta e tem poder necrosante. A viúva-negra é encontrada na faixa litorânea acima do Rio de Janeiro, mas praticamente não há registro de acidentes envolvendo esse animal no Brasil. Existem no mundo perto de 40 mil espécies de aranhas catalogadas, espalhadas por praticamente todos os ambientes terrestres, exceto a Antártida. A grande maioria é venenosa - apenas 245 não têm glândulas para produção de veneno -, embora poucas representem um perigo real para nós. O veneno desse animal pode ser de três tipos: neurotóxico, proteolítico e hemolítico. O primeiro atinge o sistema nervoso e causa muita dor. O proteolítico age sobre os tecidos da pele e dos músculos. Já o hemolítico destrói os glóbulos vermelhos do sangue. Como as aranhas são carnívoras, elas usam o veneno não só para se defender, mas também para capturar suas presas.

Cuidado com elas Veneno desses pequenos seres pode até matar

ARANHA-MARROM (gênero Loxosceles)

Tamanho: 3 centímetros

Onde é encontrada: Brasil, restante das Américas, África, sul da Europa, China

Veneno: proteolítico e hemolítico

Ela é tão tímida e pequena que nem parece possuir veneno. Mas tem e ele é muito forte. De início, sua picada não dói, mas depois de algumas horas começa um ardor no local, seguido de inchaço e vermelhidão. Se não houver tratamento, pode surgir uma úlcera (um buraco) no lugar da picada que leva muito tempo para cicatrizar, exigindo, às vezes, até um enxerto de pele. Os acidentes envolvendo humanos ocorrem quando a aranha-marrom é prensada contra o corpo, por exemplo, quando uma pessoa está se vestindo.

ARMADEIRA (gênero Phoneutria)

Tamanho: 15 centímetros

Onde é encontrada: Brasil, restante da América do Sul, América Central

Veneno: neurotóxico

É a mais agressiva de todas e responsável por metade dos acidentes com aranhas no Brasil. Ao enfrentar um inimigo, ela se ergue sobre as pernas traseiras e levanta as da frente, ao mesmo tempo em que expõe seus ferrões - por isso recebe o nome de armadeira. Sua picada dói muito, mas não costuma trazer conseqüências mais graves para os adultos. Em crianças a dor intensa pode causar arritmia cardíaca, infiltração de água nos pulmões e queda na pressão. Somente em casos muito raros pode levar uma criança à morte.

TEIA-DE-FUNIL (gêneros Atrax e Hadronyche)

Tamanho: de 1 a 4,5 centímetros

Onde é encontrada: Oceania

Veneno: neurotóxico

Os dois gêneros são conhecidos pela ferocidade e pelo alto poder de ataque. Em ambos os casos, são os machos que causam os acidentes mais graves. A mais perigosa de todas é a Atrax robustus, também conhecida como aranha teia-de-funil de Sydney. Suas vítimas podem sofrer problemas respiratórios e até entrar em estado de coma.

VIÚVA-NEGRA (gênero Latrodectus)

Tamanho: 3 centímetros (fêmeas)

Onde é encontrada: Brasil, restante da América do Sul, América do Norte, África, Europa, Ásia, Oceania

Veneno: neurotóxico

Não dá para afirmar que ela tem o veneno mais potente, mas uma coisa é certa: é a aranha mais temida. Em primeiro lugar, por ser encontrada quase no mundo todo. Segundo, porque suas dolorosas picadas são relatadas há séculos. A fêmea é responsável pelos acidentes, já que o macho, muito menor, não pica. O veneno causa excesso de transpiração, contração muscular e alterações na pressão. As viúvas-negras do Brasil são mansas e não matam. Já as espécies da costa do mar Mediterrâneo, na Europa, podem dar picadas fatais.

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