Mundo Estranho

Quem foram os maiores heróis gregos?

Ser campeão olímpico era virar imortal. Os feitos deles eram eternizados em monumentos e odes. Mas não sem alguns exageros. Olha só: sobre o lutador Milo de Crotona, vencedor de seis Olimpíadas no século 6 a.C., conta-se que vencera um exército inteiro. Mais: que podia comer 12 quilos de carne e beber 9 litros de vinho de uma vez. Coisa de semi-deus. E ele era isso mesmo para os gregos.

Milo foi reverenciado até quando perdeu, na sua sétima Olimpíada. Assim que o rival Timasídeo o derrubou, uma multidão invadiu o estádio e carregou o ex-campeão nos ombros. Com a ajuda do adversário. E olha que Milo nem era da península grega, e sim da itálica. Mas não importava: qualquer colônia helênica era considerada parte do mundo grego, ficasse ela no Egito ou na península Ibérica.

Entre os gregos "da gema", um dos mais marcantes foi Arríquion de Figaléia, o morto. O homem tentava sua segunda vitória no pancrácio quando recebeu uma tesoura de pernas. Quase sem ar, agarrou e quebrou o pé do rival, que, urrando, desistiu. Tarde demais: Arríquion foi declarado vencedor do combate no mesmo instante em que morria asfixiado.

Alguns corredores da Antigüidade alcançaram feitos que, se não forem lendários, são invejáveis. Como Pólites de Céramos, vencedor nos 200 metros, 400 metros e 5 mil metros na mesma Olimpíada. Ou melhor: na mesma manhã. Mas nenhum chegou aos pés de Leônidas de Rodes, campeão nos 200 metros, 400 metros e na corrida com armas por quatro Jogos seguidos.

Comida de graça

O único prêmio que os campeões levavam de Olímpia era uma coroa de oliveira. Mas era só voltar para casa que eles recebiam dinheiro e cargos oficiais. Alguns não precisavam se preocupar com hospedagem e comida pelo resto da vida. As coisas só começaram a mudar quando os romanos tomaram a península grega, no século 2 a.C. Eles preferiam espetáculos sangrentos, feitos para o público, não para os competidores. As luvas do pugilismo, por exemplo, ganharam pontas de chumbo. Coisa para gladiador.

Cada vez mais distante do seu sentido original, os Jogos foram esvaziando. Até que, em 393 d.C., foram extintos de vez, por decreto. Teodósio I, imperador de uma Roma cristianizada, proibira todas as festas pagãs. E os Jogos foram incluídos nesse balaio. Todo um panteão de imortais, agora, perecia.

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