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Como seria um apocalipse zumbi no Brasil? Parte 2: Política

A ME conversou com especialistas para tentar imaginar, da maneira mais realista possível, como nosso país reagiria a um levante dos mortos-vivos

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(Rainer Petter)

ILUSTRA Rainer Petter

 

ESSA É A SEGUNDA PARTE DA MATÉRIA DE CAPA APOCALIPSE ZUMBI NO BRASIL. CONFIRA AS OUTRAS:
– Parte 1: Saúde
– Parte 3: Militares
– Parte 4: População Civil
– Parte 5: Fuga e Reconstrução

 

8. Cada um por si

O sistema de organização política do Brasil não ajudaria em nada. Nosso modelo é federalista, então os serviços de saúde e segurança são atribuídos a cada estado. Levaria tempo até que informações locais (especialmente os primeiros casos isolados) fossem compartilhadas com a União, rumo à criação de um “Plano Nacional Antizumbi”.

 

9. Desconectados

Para ter uma ideia, até hoje as diversas polícias do país ainda não têm um banco de dados 100% integrado. Corpo de bombeiros, então, nem se fala. Nem a emissão de RGs é unificada! A Secretaria de Segurança de cada estado propõe sua formatação. Uma mesma pessoa pode conseguir até 27 documentos diferentes e, com isso, manter sua ficha limpa.

 

10. Tudo no improviso

Jamais assolado por terremotos ou vulcões, o Brasil não se habituou a criar planos de contingência. Mesmo diante de problemas cíclicos, como deslizamentos e enchentes em épocas de chuva, projetos efetivos e aplicados sempre foram raros. Ainda que houvesse um “Plano Nacional Antizumbi”, ele estaria sediado em Brasília e levaria meses para ser implantado em todo o país.

 

11. E os militares?

A princípio, as Forças Armadas não poderiam agir: em teoria, os infectados ainda seriam brasileiros e a Constituição de 1988 excluiu a cláusula de “inimigo interno”, que permitia investidas de militares contra civis. Se os desmortos afetassem serviços básicos, como a distribuição de água, aí sim a ação estaria liberada, porque seria considerada em prol da defesa nacional.

 

12. Legado da Copa

A demora na reação custaria a total conversão dos cariocas, encurralados entre o mar e as montanhas, numa cidade com alta densidade demográfica (5,2 mil habitantes por km²). Nesse meio-tempo, o principal trunfo da cidade seriam os agentes da lei com experiência na Copa e na Olimpíada – vários tiveram treinamento antiterrorismo e emergencial.

 

13. Enfim, na ofensiva

Eventualmente, orientado pelo ministro da Defesa, o presidente convocaria a Força Nacional de Segurança (formada por policiais e bombeiros de grupos de elite), a Polícia Federal e as Forças Armadas. Talvez Brasília já estivesse cercada: uma simulação feita pela Universidade de Cornell mostrou que mais da metade do território dos EUA estaria tomada em apenas três semanas.

 

14. Sebo nas canelas

O presidente e os líderes do Congresso precisariam ser evacuados. Mas, como o Brasil não participou da corrida armamentista nuclear na Guerra Fria, não temos um bunker para isso. A primeira parada seria a Base Aérea de Brasília. Dali, uma opção seria isolá-los no porta-aviões São Paulo, mas ele fica ancorado no Rio de Janeiro e não tem histórico de ações táticas.

 

15. Mato sem cachorro

Outra saída seria pedir “abrigo” aos EUA, no porta-aviões George Washington, que já fez manobras com nossa Marinha em 2015. Mas essa decisão teria muitas conotações políticas polêmicas. O mais provável seria instalar o governo provisoriamente em um quartel militar em Roraima – um lugar isolado, pouco povoado, mas militarizado (por causa da fronteira com a Venezuela).

+ Confira a terceira parte desta matéria

 

CONSULTORIA Rodrigo Stumpf Gonzalez, professor do Departamento de Ciência Política da UFRGS

FONTES Artigos A Crise e a Saúde Pública, de José Luiz Spigolon, As Medidas de Quarentena Humana na Saúde Pública: Aspectos Bioéticos, de Iris Almeida dos Santos e Wanderson Flor do Nascimento, You Can Run, You Can Hide: The Epidemiology and Statistical Mechanics of Zombies, de Alexander Alemi, Matthew Bierbaum, Christopher Myers e James Sethna; livros Guerra Mundial Z: Uma História Oral da Guerra dos Zumbis e O Guia de Sobrevivência a Zumbis, ambos de Max Brooks; documentários The Truth Behind Zombies, do National Geographic, e Zombies: A Living History, do History Channel; relatórios Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio 2012 e Atlas da Violência 2016, ambos do Ipea, Execução Orçamentária, do Ministério da Defesa, Small Arms Holdings in Brazil: Toward a Comprehensive Mapping of Guns and Their Owners, de Pablo Dreyfus e Marcelo de Sousa Nascimento; sites IBGE, CNT, Denatran, Conselho Federal de Medicina, Abraciclo, Centers of Disease Control, Military Power, Global Firepower, Zombie Research Society e Defesa Net