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Como funciona um tanque de guerra?

Como funciona um tanque de guerra?

Lucas Silva Cintra,

Franca, SP

tanque

Eles são projetados para serem poderosas armas tanto de ataque quanto de defesa, atravessar terrenos irregulares e dar segurança aos seus ocupantes mesmo sob fogo intenso. Hoje, essa missão é facilitada por modernos recursos eletrônicos de navegação e por uma blindagem super-reforçada – tudo isso sem abrir mão da marca registrada do veículo, as esteiras por onde correm as rodas. É esse acessório, aliás, que diferencia os tanques de outros carros de combate, como as viaturas blindadas (modelos como o Urutu, do Exército brasileiro, que andam sobre rodas) ou os meias-lagartas (que na frente têm rodas e atrás têm esteiras, ou vice-versa). Para ilustrar o funcionamento de um tanque, escolhemos o modelo Abrams M1A2, usado pelo Exército americano na invasão do Iraque e considerado o melhor da atualidade, o ponto mais moderno em uma escala evolutiva que começou há quase 100 anos. Os primeiros tanques da história eram toscos: no início do século 20, o Exército inglês adaptou chapas de metal em tratores para proteger piloto e passageiros dos tiros. A gambiarra deu certo e, em 1915, surgiram os primeiros protótipos de tanques, que alcançavam a “incrível” velocidade de 6,5 km/h. Em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial, os britânicos se tornaram os primeiros a utilizar tanques em combate, na batalha de Somme, na França. Dos 32 veículos no front, nove conseguiram atravessar as “terras de ninguém” – regiões entre as trincheiras dos exércitos – e avançar sobre as linhas de defesa alemãs. E não foi o fogo germânico que deteve os outros 23. Eles quebraram no meio do caminho! “Hoje, a informática transformou o aspecto técnico dos carros de combate, fazendo deles um sonho para os entusiastas. Mas isso não mascara sua única finalidade: trazer morte e destruição ao inimigo”, diz o pesquisador militar Peter Eriksson, do Exército da Suécia.

Máquina mortífera Destrinchamos o tanque americano Abrams M1A2, considerado o melhor da atualidade

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FORÇA TOTAL

Para impulsionar as quase 70 toneladas do tanque, o motor de combustão interna tem uma potência de 1 500 HP — só para comparar, isso equivale à potência de 12 carros com motor 2.0. Mesmo com tanta força, a velocidade máxima é de 48 km/h

PASSANDO POR CIMA

Servindo de base para as rodas movimentadas pelo motor do tanque, as esteiras permitem que o veículo avance por qualquer tipo de terreno. O ângulo na parte frontal serve para superar obstáculos mais altos, como morros ou crateras

CASCA GROSSA

A blindagem é formada por um sistema de várias camadas de metal, para barrar os tiros, intercaladas com cerâmica, para bloquear o calor dos disparos. O casulo blindado protege os quatro passageiros, o motor, o tanque de combustível e os comandos do tanque

DUPLA DINÂMICA

O tanque conta com duas metralhadoras, uma de 12,7 mm de diâmetro e outra de 7,62 mm, que derrubam até helicópteros. Ambas possuem rotação de 180 graus e podem disparar de alto a baixo, entre -30 graus e 65 graus em relação ao horizonte

SEGUNDO ANDAR

Graças a um sistema de engrenagens acopladas à carroceria, a torre consegue girar até 180 graus, aumentando a autonomia para usar o canhão e as metralhadoras. A ligação com a carroceria é feita por meio de uma passagem onde fica o artilheiro

PETARDO PODEROSO

A arma principal é um canhão de 120 mm de diâmetro. Comandado por um computador interno, ele tem alto poder de destruição: consegue arrebentar muros, virar automóveis de cabeça para baixo e penetrar na blindagem de todos os tanques conhecidos

Ficha técnica

NOME: Tanque Abrams M1A2

PESO: 69,5 toneladas

ALTURA: 2,88 metros

COMPRIMENTO: 8,15 metros (9,82 metros com o canhão)

LARGURA: 3,65 metros

PREÇO: 5,6 milhões de dólares

Trabalho em equipe Quatro pessoas mandam no blindado

O comandante é o responsável pelo andamento da missão. Sua função é transmitir ordens táticas aos outros três ocupantes

O municiador mantém as armas sempre carregadas e cuida dos sistemas de comunicação

O artilheiro é o segundo na hierarquia do tanque. É ele quem controla o canhão principal e as metralhadoras

O piloto é quem dirige o tanque. Uma das tarefas é encontrar o caminho menos acidentado