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O que acontece com a comida que sobra dos restaurantes?

A maioria vai para o lixo, mas não é por má vontade dos restaurantes - a lei dificulta a doação

Ela até pode ser doada, mas geralmente é descartada. Se a comida foi exposta (como em um bufê de restaurante por quilo), ela necessariamente precisa ser jogada fora. Se foi preparada e armazenada na cozinha, seguindo as normas da resolução RDC nº 275 da Anvisa (veja abaixo), pode ser doada em até um dia. Porém, por causa da Lei n° 8.137, de 1990, quem responde por qualquer problema que essa comida possa causar na saúde de alguém é o restaurante. Se um estabelecimento qualquer doar as sobras a uma instituição e depois esse alimento causar alguma doença, é o próprio doador que será responsabilizado. Por isso, a maioria dos restaurantes prefere jogar a comida fora.

NOS CONFORMES
Se o alimento nunca foi exposto, pode ir para doação, mas as regras são rígidas. O armazenamento deve ser em temperaturas ou abaixo de -6 °C ou acima de 60 °C, dependendo da comida. Mas, para evitar possíveis problemas, os restaurantes acabam não doando. Grande parte é consumida pelos funcionários e, em alguns casos, doada a moradores de rua dos arredores

SEM DESPERDÍCIO
Estima-se que por ano, no Brasil, mais de 26 milhões de toneladas de comida sejam jogadas fora. Em parte, isso é por causa da rigidez da legislação, que culpabiliza o doador. Porém, os 220 bancos de alimentos que existem no país distribuem mensalmente comida para 10 mil instituições. Isso é graças a empresas grandes, como Unilever, que doam grande parte do que não será comercializado

JOGA FORA NO LIXO
Já aquela comidinha preparada e exposta em um bufê, por maior que seja a quantidade, precisa ser recolhida dos recipientes e ir direto para o lixo, sem dó. O mesmo vale para as sobras em porções e alimentos que foram preparados na cozinha e não foram armazenados corretamente. Não dá nem para guardar para o dia seguinte: tem que ir para o lixo

E O FUTURO?
Um projeto de lei de 2016 quer deixar de responsabilizar os restaurantes pela saúde de quem consome a comida doada. A nutricionista Jéssica Lima, da ONG Banco de Alimentos, acredita que isso seria benéfico, pois “aumentaria o número de doações. Se a segurança alimentar for feita corretamente e se o controle de temperatura for mantido, não tem por que acontecer problemas”, afirma ela

TdF sugeriu – Victoria Gallagher

CONSULTORIA Marêza Mattioli, nutricionista, e Edvânia Soares, nutricionista e pós-graduada em nutrição esportiva e vigilância sanitária FONTES Senado Federal, Vigilância Sanitária e Câmara dos Deputados

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