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Com doses de fantasia, De Volta a Blackbrick aborda o Alzheimer

De Volta a Blackbrick é um livro escrito por Sarah Moore Fitzgerald e lançado em 2016 pela editora Galera Record. Conta a história, em primeira pessoa, de Cosmo, um adolescente que sofre a perda do irmão pequeno. Com isso, sua mãe se muda da Irlanda para a Austrália em busca de um melhor mercado de trabalho, deixando o garoto sob os cuidados dos avós.

Apesar de sua relação com o avô ser das melhores, o velhinho tem Alzheimer. Então, Cosmo decide fazer de tudo para preservar a sanidade dele, pesquisando sobre a doença e colando post-its pela casa para que ele se lembre de fatos e objetos, inclusive da morte de seu irmão Brian. Nessa altura, a família percebe que a doença está avançando e que talvez vovô Kevin precise sair de casa para receber cuidados especiais. Mas Cosmo é resistente à ideia, sendo dono de uma esperança que falta nas pessoas adultas.

No ápice desses acontecimentos iniciais, Kevin tem um momento de lucidez junto a Cosmo, dizendo que possui a chave para os portões da Abadia de Blackbrick e que lhe encontraria lá. Nesse momento, seu neto ainda não entendia e não sabia que, por meio desses portões, mergulharia no passado de seu avô quando este tinha 16 anos. Com um caderno para fazer anotações em mãos, ele vai do presente ao passado em busca de clarear a memoria de Kevin e impedir que o avô deixe de passar em um teste de memória – o que significaria ter que sair de casa e ir morar com um tio.

A maior parte do livro se desenrola na antiga residência de seu avô, em época de guerra. A autora cria um ambiente que realmente nos dá a noção do antigo, do imutável. Aqui, Cosmo tentará, além de colher informações sobre o passado, tentar evitar as perdas do futuro. Nesse sentido, o personagem amadurecerá ao final da história, percebendo que as perdas (tanto de seu irmão quanto da memória de seu avó) já aconteceram e que é possível remediá-las por meio do amor familiar e da preservação da memória.

Ao final da história, não fica claro se a viagem de Cosmo realmente aconteceu ou se foi uma metáfora sobre conhecer o passado. Assim, por mais que Cosmo tenha aprendido a lidar com os dramas da realidade na trama, há a presença do sonho e da memória, que acabam se tornando realidade no final, com os atos do menino realmente se concretizando, resultando em uma lição fascinante.

A história de Sarah é de leitura fácil e ressalta uma abordagem até mesmo inocente. O curso dos acontecimentos não é previsível e temas como família e amizade não se tornam clichês. Apesar de a narrativa do cotidiano de Blackbrick não ser tão animadora, a evolução da trama a partir dali com certeza vale a leitura.

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