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Como as grandes religiões velam seus mortos?

Saiba quais são os costumes e os rituais no judaísmo, budismo, hinduísmo, islamismo e cristianismo

Leia também: – Como as grandes religiões encaram o momento da morte?

ISLAMISMO

Para os muçulmanos, o velório é um intervalo entre outras etapas do ritual de despedida. Como o corpo deve ser sepultado depressa, a cerimônia mais serve para que os familiares tenham tempo de cumprir com burocracias para o enterro ou para que aguardem a chegada de algum parente

Simples assim

Vestir preto não é obrigatório, mas os presentes devem estar trajados sobriamente, sobretudo as mulheres, que devem manter a cabeça coberta. Os presentes rezam em conjunto, perto do caixão, para que a alma do falecido siga em paz seu caminho. Os familiares podem permitir música durante a cerimônia

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BUDISMO

Familiares, amigos e um monge oram e despedem-se com calma, já que a morte é uma etapa de um longo processo evolutivo, e não um fim definitivo. Os visitantes levam palavras de consolo para os parentes do morto e também algum dinheiro, para ajudá-los com as despesas do funeral

Desapego iluminado

O corpo é colocado em um caixão, com um rosário budista enrolado nas mãos. Os presentes recitam textos sagrados em coro. Algumas subdivisões dos budistas oferecem alimento e água num altar, como símbolo de desapego do corpo físico. Junto do caixão, acendem-se velas e incensos

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HINDUÍSMO

Nos rituais fúnebres hindus, o velório é apenas uma transição entre duas etapas mais importantes: a preparação do corpo, feita logo após a morte, e a cremação, que tem forte simbologia. Por isso mesmo, não há regra estabelecida para essa fase e os adeptos de diversos segmentos do hinduísmo despedem-se, cada qual, à sua maneira

Ritual livre

Há regiões da Índia em que familiares e amigos jogam pétalas de rosas , margaridas e jasmins sobre o corpo e dão três voltas em torno dele (o número 3 é simbólico para os hindus. Segundo a crença, são três os deuses – Brahma, Vishnu e Shiva – que representam o ciclo completo da existência). Deixar cartas sobre o falecido, pedindo que a alma encontre o caminho da luz, também é comum. Outrocostume é fazer orações e ler textos sagrados diante do morto

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JUDAÍSMO

O velório é o momento de reunir familiares e amigos do falecido para exaltar suas qualidades, falar das bondades que praticou em vida e fazer orações em nome de sua alma. O caixão é ladeado por velas, para que o espírito encontre um caminho iluminado. A maior honra ao morto é oferecer donativos a entidades beneficentes em sua homenagem, o que traria conforto espiritual à alma diante de Deus

Melhor é o silêncio

Na curta cerimônia, mulheres cobrem a cabeça com um lenço e homens com o quipá . Ninguém deve puxar conversa nem dar pêsames aos familiares do falecido: os judeus creem que nenhuma palavra pode expressar tamanha dor, então o melhor é ficar quieto nessa hora

Em voz alta

O caixão fica fechado – expor o morto seria desrespeito, já que para os judeus o importante é lembrar-se da pessoa como era em vida. O corpo nunca fica sozinho e os presentes não comem, bebem, cantam nem ouvem música. Em voz alta, rola a leitura de salmos e declarações sobre as virtudes do falecido

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CRISTIANISMO

Familiares e amigos recebem condolências em sinal de luto e respeito. O caixão fica aberto para que os presentes toquem o corpo e dirijam-lhe as últimas palavras. A cerimônia deve ser a melhor possível, em sinal de reverência à memória do morto

Orações finais

Os católicos rezam e celebram uma missa, além de entoar cantos religiosos. Um padre faz as exéquias – conjunto de rezas para “encomendar o corpo” para a vida eterna. Familiares e amigos do morto se vestem de maneira sóbria e respeitosa. Os protestantes, por sua vez, não adotam o preto como cor oficial do luto

Primavera iluminada

No caso dos católicos, há uma cruz em cima do caixão e quatro velas ao redor. As velas simbolizam a luz de Cristo ressuscitado e são acesas para iluminar o caminho da alma até a eternidade. Amigos enviam flores aos familiares, simbolizando a “primavera da vida que floresce na eternidade”.Os crisântemos são as flores preferidas pelos brasileiros para homenagear quem já morreu

CONSULTORIACecilia Ben David, coordenadora pedagógica do Centro da Cultura Judaica; Swami Krishna Priya Ananda, mestre espiritual da Sociedade Internacional Gita do Brasil; Cido Pereira, padre da Arquidiocese de São Paulo; Shake Juma, do Centro de Estudos e Divulgação do Islã; Padman Samten, lama do Centro de Estudos Budistas Bodisatva

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