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Como era uma balada nos anos 70?

Na década da disco music, as casas noturnas começavam a apresentar algumas características típicas de uma balada até hoje

Na década da disco music, as casas noturnas começavam a apresentar algumas características típicas de uma balada até hoje, como o forte show de luzes dando destaque à pista e a presença do DJ comandando o som. Mas o que marcou o período foi a mentalidade do público.

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O hedonismo (a busca pelo prazer) era a arma dos jovens contra a caretice e a repressão do regime militar. Sexo, drogas e disco e soul music embalavam as noites. Nas boates mais populares, jovens de todas as classes sociais, negros e brancos, gays e héteros se reuniam para dançar como se não houvesse amanhã.

SOLTE SUAS FERAS

Luz, som, cores, drogas: tudo motivava o público a se jogar na pista.

Para beber com estilo

A cuba libre, sucesso nos anos 60, ainda era a bebida preferida de muita gente. Disputava espaço nos balcões com uísque, vodca e cerveja. Os mais refinados apostavam no dry martíni, famoso graças ao espião 007: três doses de gim, um pouco de vermute e gelo, batido na coqueteleira e decorado com a clássica azeitona no palito.

Um show à parte

Extravasar era a palavra-chave: a galera usava muita cor, brilho e materiais sintéticos. O lurex (um tecido com fios metálicos) aparecia em blusas, macacões e vestidos. No look das garotas, maquiagem forte, meia arrastão e plataformas altíssimas eram essenciais. Elas se inspiravam na novela Dancing Days, enquanto os garotos copiavam Os Embalos de Sábado à Noite.

Solta o som!

A pista se consagrava como a grande atração. Não podia parar jamais! Por causa disso, essa época vê surgir a figura do DJ (abreviação de “disc jockey”), que comandava o som. Ele tinha área de destaque no salão e interagia com o público. O uso de dois toca-discos foi uma grande revolução, mas poucos avançaram nas mixagens próprias.

Os donos da noite

A exigência de infraestrutura forçou a profissionalização do ramo. Baladas começaram a virar grandes negócios e consagravam os “reis da noite” – empresários como Ricardo Amaral, dono da Hippopotamus (no Rio) e da Papagaio (no Rio e em Sampa). Outras casas que marcaram a época foram a paulistana Banana Power e a fluminense Dancin¿ Days Discotheque, que até virou nome de novela.

Só o pó

Ainda rolavam drogas psicodélicas, como maconha e LSD, herdadas da onda hippie. Mas a noite tinha uma nova musa: a cocaína, que mantinha a galera fervendo na pista. Drogar-se não era mais um ato de contestação, como na década anterior. O pó era uma droga cara e virou simplesmente mais um bem de consumo associado a glamour e status.

Liberdade sexual

Se, nos anos 60, ainda reinava o pudor, na década seguinte todos queriam curtir. Beijar já não exigia tanta intimidade. A dança servia para aproximar os casais, que depois procuravam cantos escuros para uns amassos mais quentes. Alguns esticavam a noite em um lugar mais reservado. Os ousados já partiam para os “finalmentes” no banheiro da boate.

Curiosidades:

– O globo espelhado, os neons e a luz estroboscópica ajudavam a deixar o ambiente mais frenético;

– As discotecas cobravam a entrada e algumas já exigiam a famigerada “consumação mínima”;

– A falta de mesas e assentos era proposital: forçava as pessoas a circular ou se concentrar na pista de dança;

– Quem podia ostentava uma invejável cabeleira black power, um sinal de orgulho racial, vindo da luta pelos direitos civis no fim dos anos 60.

TOP 5 DAS PISTAS

O que bombava na época

“Dancin’ Days”, As Frenéticas;

“Stayin¿ Alive”, Bee Gees;

“I Will Survive”, Gloria Gaynor;

“That’s the Way (I Like It)”, KC and the Sunshine Band;

“Sossego”, Tim Maia.

FONTES: Leiloca, cantora do grupo Frenéticas, e Rafael Rodrigues, bar consultant, livros Todo DJ Já Sambou, de Claudia Assef, Noites Tropicais, de Nelson Motta, Almanaque Anos 70, de Ana Maria Bahiana, e Culturas da Rebeldia: A Juventude em Questão, de Paulo Sérgio do Carmo.

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