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Como era uma balada nos anos 80?

Relembre a música, as bebidas, a moda e o comportamento da década de 80

(Jhonata Alves/Mundo Estranho)

As danceterias brasileiras dessa década eram locais de efervescência cultural. Ajudaram a revelar bandas como Legião Urbana, Ira e RPM – o rock nacional estourou e trouxe a música ao vivo de volta às baladas.

Também eram o ponto de encontro de novas “tribos”, como góticos, punks e fãs da new wave. A agitação espelhava a redemocratização do país: o cidadão (em especial, o jovem) podia voltar a expor opiniões sem medo de represálias. Por outro lado, o perigo da AIDS se tornava cada vez mais próximo, mudando radicalmente os hábitos sexuais.

 

1) TV na balada

Os anos 80 viram nascer, nos EUA, o canal MTV, que revolucionou o consumo de música. Agora, vinham em forma de clipe! As baladas foram atrás: algumas tinham TV para exibir vídeos que hoje são clássicos, como Thriller, de Michael Jackson, Like a Virgin, de Madonna, e Kiss, de Prince. A galera até copiava as coreografias.

 

2) Hang the DJ

Não havia internet e as rádios brasileiras nem sempre eram rápidas em reproduzir o que bombava lá fora. Resultado: o DJ com acesso a discos importados se tornou um grande formador de opinião. Muita gente o abordava na cabine para saber o nome das músicas. Mas, se ele colocava um som que não agradasse, era vaiado.

 

3) A praga da década

Antes considerada doença exclusiva dos gays, a aids aos poucos começou a fazer vítimas entre heterossexuais. A paranoia bateu forte e o amor livre da geração anterior foi deixado de lado. O conselho geral era levar camisinha para a farra. Alguns copiavam a postura assexuada (e/ou andrógina) de ídolos como Morrissey, dos Smiths.

 

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4) Drinque refrescante

No bar, a cuba libre e o hi-fi seguiam populares. Mas houve outras febres ao longo da década. Uma delas foi a do Keep Cooler, bisavô das bebidas “ice” atuais. Parecia um refrigerante com sabor de frutas (pêssego, uva, morango, maracujá…), mas levava vinho branco e tinha teor alcoólico de cerca de 5% (similar ao da cerveja).

 

5) Revelando talentos

Eram comuns os shows ao vivo. Foram em palcos de baladas que surgiram bandas como Legião Urbana, Ira e Paralamas do Sucesso. Ávidos por novidades musicais, os frequentadores pagavam uma taxa de “couvert artístico” nessas noites e dançavam mesmo quando a música não era exatamente feita pra isso.

 

6) Fauna diversa

O individualismo dos anos 70 (apelidados pelo escritor Tom Wolfe como “a década do eu”) aumentou nos 80. Cada um buscava uma expressão pessoal, inclusive na moda. Na pista, havia cabelos “mullet”, moicano ou cheios de gel. Os góticos investiam no preto e a galera new wave vestia cores cítricas vibrantes.

 

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TOP 5 DAS PISTAS

As músicas preferidas na hora de sacudir as ombreiras.

“Bizarre Love Triangle”, New Order

“Burning Down the House”, Talking Heads

“Bela Lugosi Is Dead”, Bauhaus

“Tender Love”, Soft Cell

“Should I Stay or Should I Go?”, Clash

 

FONTES Livros Todo DJ Já Sambou, de Claudia Assef, Noites Tropicais, de Nelson Motta, Almanaque Anos 80, de Luiz André Alzer e Mariana Claudino, Culturas da Rebeldia: A Juventude em Questão, de Paulo Sérgio do Carmo, Os Filhos da Revolução: A Juventude Urbana e o Rock Brasileiro dos Anos 80, de Aline do Carmo Rochedo.

CONSULTORIA Lorena Calabria, jornalista.

 

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