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O que é o Paradoxo de Pinóquio?

“Eu minto”. Se a declaração é verdadeira, quem a disse mente. Se é mentirosa, o sujeito quer dizer que fala a verdade, o que também contraria a frase

pinoquio

ILUSTRA Elias Fernandes

PERGUNTA Franklin Chagas Damasceno, Cariacica, ES

Paradoxos são declarações aparentemente verdadeiras que, apesar disso, contêm uma contradição lógica. O chamado paradoxo de Pinóquio, especificamente, é uma variante de um mais geral, o do mentiroso, que leva os filósofos à loucura há mais de 2 mil anos. A confusão começou no século 6 na cidade de Creta, na Grécia. O filósofo Epimenides, nascido lá, disse: “Todos em Creta são sempre mentirosos”. Ora, se o que ele diz é verdade, então ele mesmo também é um mentiroso. E logo está mentindo. E logo sua frase não é verdade. Ops, pintou o paradoxo. A versão de Pinóquio é a mesma coisa, com um nariz que cresce – ou não – incluído no desenrolar da contradição. A imagem acima explica como ele funciona.

Vai, não vai

Outra versão do paradoxo foi criada pelo filósofo francês Jean Buridan, num diálogo hipotético entre dois pensadores famosos. Platão guarda uma ponte e diz a Sócrates: “Se você disser uma verdade, eu o deixo passar. Se disser uma mentira, eu o atiro da ponte”. Então Sócrates diz: “Você vai me atirar da ponte”. Se é verdade, Platão tem que deixá-lo passar e atirá-lo ao mesmo tempo. Se for mentira, Platão tem que atirá-lo, tornando a frase verdadeira. (Uma solução deselegante seria deixar Sócrates atravessar a ponte e só então atirá-lo no rio.)

Minto, logo não existo

A variante mais simples desse paradoxo é a frase autorreferente “Eu minto”. Se a declaração é verdadeira, quem a disse mente – o que automaticamente cria um paradoxo. Se ela é mentirosa, o sujeito quer dizer que fala a verdade, o que também contraria a própria frase e leva ao paradoxo.

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TEM SOLUÇÃO?
Paradoxo que se preze não tem saída
Existem tentativas de “solucionar” esses paradoxos de mentirosos. Todas elas tratam de detalhar melhor a frase. Por exemplo: “Meu nariz vai crescer agora (e não depois)”. Ou “Esta frase (e não outras que digo) é mentira”. Há quem critique essas alternativas, dizendo que elas tiram uma parte essencial do paradoxo. Sem isso, realmente ele não tem solução. Sorte do Pinóquio, que não existe de verdade!

FONTES Livros This Sentence Is False: An Introduction to Philosophical Paradoxes, de Peter Cave, e Paradoxes, de Roy T. Cook, e Stanford Encyclopedia of Philosophy