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Alguém já morreu de tanto dançar?

Já houve diversos casos. Um período bastante “letal” foram as décadas de 1920 e 1930, quando as maratonas de dança se popularizaram nos EUA

Por Rafael Costa Atualizado em 4 jul 2018, 20h25 - Publicado em 7 abr 2016, 12h51
ILUSTRA SOBRE FOTO Marcos de Lima

PERGUNTA Mariel Luana Nones, Timbó, SC

Já houve diversos casos ao longo da história. Um período bastante “letal” foram as décadas de 1920 e 1930, quando se popularizaram nos EUA as maratonas de dança. Era o auge da Grande Depressão, com alto índice de desemprego e miséria. Para disputar prêmios que iam de US$ 1 mil até US$ 5 mil, pessoas dançavam dias sem parar, como num teste de resistência, até restar apenas uma. As regras só permitiam 10 minutos para descansar, comer e ir no banheiro, a cada uma ou duas horas. A maratona de dança mais longa durou 2.831 horas (ou 117 dias). O casal vencedor ganhou míseros US$ 2.650

Claro que isso não poderia terminar bem. O caso mais famoso foi o de Homer Morehouse, de 27 anos, que sofreu uma parada cardíaca após dançar por 87 horas, o equivalente a pouco mais de três dias e meio. Vários outros participantes morreram ou entraram em coma. Uma mulher foi desclassificada depois de alucinar, imaginando que homens armados queriam mata-la!

O esforço dos competidores em um dia equivalia a andar cerca de 64 km! Segundo o cardiologista Antônio Bacelar Filho, esse tipo de exagero pode causar infartos ou arritmias. Somado à desidratação e à privação de sono, pode provocar aumento da temperatura corporal, insuficiência renal, lesões musculares, AVCs e até problemas neurológicos, como alucinações ou coma

Depois de tantas tragédias, esse tipo de competição perdeu popularidade. Hoje, as fatalidades na pista de dança costumam estar ligadas à falta de preparo físico (em 2012, um homem de 46 anos enfartou ao fazer o “passo do cavalo” de “Gangnam Style”) ou a coreografias muito ousadas (em 2015, um dançarino de break quebrou o pescoço ao dar um mortal de costas numa balada francesa)

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CONSULTORIA Dr. Antônio Barcelar Filho, cardiologista do Hospital Israelita Albert Einstein

FONTES Filme A Noite dos Desesperados, de Sydney Pollack, livro Mas Não se Matam Cavalos?, de Horace McCoy, e sites Daily Mail, BrainWipe, SleepTechTutor, Royal Opera House e Tuscaloosa News

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