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Como era um ritual de sacrifício humano dos thugs, na Índia?

Para impedir a vinda de Kali, indianos fanáticos se infiltravam em caravanas e enforcavam homens à noite

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ILUSTRA Ícaro Yuji

Os thugs viveram na Índia entre os séculos 13 e 19. Para impedir a vinda de Kali, esses fanáticos se infiltravam em caravanas e enforcavam homens à noite

Atuando na Índia, os thugs eram fanáticos que idolatravam a deusa hindu Kali. Formavam uma espécie de sociedade secreta nômade: educados e com uma postura aparentemente irretocável, conseguiam aderir, um a um, a caravanas de comerciantes. Infiltravam até dez pessoas no mesmo grupo, que fingiam não se conhecer e se falavam por códigos.

O uso do lenço tinha uma vantagem: desse jeito, os thugsjamais eram flagrados com armas de verdade, que poderiam revelar suas reais motivações. Os corpos eram queimados, lançados em rios ou cortados em pedaços e enterrados em valas preparadas com antecedência. Os assassinos sumiam rapidamente, sem deixar rastros e levando os bens das vítimas.

Ao longo da jornada, que podia durar vários dias, os matadores começavam a selecionar suas vítimas – sempre homens. Todos eram assassinados numa mesma noite: dormindo em sua tenda, os escolhidos eram cercados pelo grupo, imobilizados nas mãos e pernas e enforcados com um lenço chamado ruhmal – uma técnica que era passada de pai para filho.

Para os thugs, cada “oferenda” atrasava a vinda de Kali à Terra em mil anos. Ligada à morte e à vingança, até hoje essa deusa é muito popular entre os indianos. Em 2006, ela foi o pretexto para a morte do garoto Aakash Singh, de 16 anos.

ESTA REPORTAGEM FAZ PARTE DA MATÉRIA DE CAPASACRIFÍCIOS HUMANO. CONFIRA AS OUTRAS:

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CONSULTORIAWalter Burkert, professor de antiguidade clássica da Universidade de Zurique, Patricia Smith, antropóloga da Hebrew University, Miranda Aldhouse-Green, arqueóloga e professora da Universidade Cardiff, Jonathan Tubb, arqueólogo do British Museum, Jan Bremmer, professor de ciência da religião da Universidade de Groningen

FONTESLivrosCity of Sacrifice, de David Carrasco,Dying for the Gods, de Miranda Green Sutton,The Highest Altar, de Patrick Tierney, eJapanese Death Poems, de Yoel Hoffmann, e filmeO Homem de Palha, de Robin Hardy