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Que índios dominavam nosso litoral na época do Descobrimento?

No século 16, tribos indígenas resistiram à colonização unindo-se na Confederação dos Tamoios

As principais tribos faziam parte de um grupo indígena muito amplo conhecido como tupi, nome da língua que eles falavam. Mas os tupis não eram uma nação indígena homogênea. Eles tinham grandes rivalidades internas que acabaram sendo exploradas pelos europeus que tentavam colonizar a região. Ainda hoje os historiadores não chegaram a um consenso sobre a melhor maneira de separar as principais tribos tupis e também para delimitar a área exata que cada uma delas ocupava no litoral. Mas tupiniquins, tupinambás, tamoios, caetés, potiguaras e tabajaras quase sempre aparecem citadas como as principais tribos tupis.

CARNAVAL DE TRIBOS

Subgrupos tupis tinham rivalidades e se dividiam entre aliados e inimigos dos colonizadores

(Luciano Feijão/Mundo Estranho)

POTIGUARAS
Cacique famoso: Iniguaçu
Dominaram do litoral da Paraíba até o do Ceará e foram um dos grandes inimigos dos portugueses no Nordeste. Grandes guerreiros, só foram derrotados na região quando os colonizadores conseguiram fazer alianças com outros grupos nativos

TUPINAMBÁS
Cacique famoso: Cunhambebe
No Nordeste tinham aldeias no norte da Bahia e em Sergipe. No Sudeste, habitavam do litoral norte do Rio de Janeiro até São Sebastião (SP) – fronteira com o território tupiniquim, com quem viviam em guerra. Foram grandes rivais dos portugueses

TABAJARAS
Cacique famoso: Piragibe
Vindos do litoral de Alagoas e de Sergipe, os tabajaras se fixaram na Paraíba quando a região já era ocupada pelos potiguaras, que viraram seus grandes rivais. Por causa dessa disputa, acabaram se aliando aos colonizadores portugueses

Veja também

TUPINIQUINS
Cacique famoso: Tibiriçá
Havia tupiniquins no centro-sul da Bahia, mas a maior concentração da tribo era na região da atual Grande São Paulo. Um subgrupo tupiniquim, os guaianases, dominava o litoral sul de São Paulo até regiões perto da cidade de São Sebastião (SP)

CAETÉS
Cacique famoso: Cururupebe
Encontrados em Alagoas e Pernambuco, ficaram historicamente famosos pelo episódio em que comeram o bispo Sardinha – português que naufragou na região. Tinham relação mais amistosa com franceses que circulavam pela área da tribo

TAMOIOS
Cacique famoso: Aimberê
Eram encontrados no litoral norte de São Paulo, mas habitavam principalmente o vale do Paraíba. Conseguiram vitórias memoráveis contra os portugueses. Como quase todos os grupos indígenas do litoral, praticavam o canibalismo

NÓS VAMOS INVADIR SUA PRAIA!

Na disputa pela atual região Sudeste, portugueses ganharam apoio dos tupiniquins contra os franceses

(Luciano Feijão/Mundo Estranho)

1. No início da colonização, os portugueses enfrentam a resistência de várias tribos no Sudeste. Porém, por volta de 1540, eles se aliam aos tupiniquins. O náufrago português João Ramalho, que há anos vivia com a tribo, ajuda na aproximação

2. Brás Cubas, governador português da capitania de São Vicente, tenta promover a colonização escravizando os nativos rebeldes. Com a ajuda de tupiniquins catequizados, os portugueses enfrentam os tupinambás

3. Índios como os tamoios e os goitacazes – do litoral norte do Rio – também entram em choque com os colonizadores. Para se defender, esses índios se unem aos tupinambás e criam a chamada Confederação dos Tamoios, em 1554

(Luciano Feijão/Mundo Estranho)

4. Nesse período, os franceses também tentam colonizar o Brasil. Aproveitando-se da luta entre portugueses e índios, os franceses se unem aos tupinambás e à confederação. Em 1555, eles criam a França Antártica na baía de Guanabara, no Rio

5. Em 1563, os jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta propõem uma trégua aos índios inimigos dos portugueses. A Paz de Iperoig – nome da atual cidade de Ubatuba (SP) – é acertada com o cacique Cunhambebe, dos tupinambás

6. A paz serve apenas para os portugueses romperem a aliança entre índios e franceses, que são expulsos do Rio de Janeiro por volta de 1567. Nas décadas seguintes, os tupinambás e os tamoios são praticamente extintos ou escravizados

CONSULTORIA: João Paulo Streapco, mestrando em História Social na USP

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