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A radiação das bombas de Hiroshima e Nagasáki ainda prejudica a vida no Japão?

Por Redação Mundo Estranho - Atualizado em 4 jul 2018, 20h19 - Publicado em 18 abr 2011, 18h57

Não. “As medições mais recentes indicam níveis de radiação compatíveis com os de outras cidades. Não há mais riscos à saúde”, afirma a física Emico Okuno, da USP, especialista no assunto. Como os solos não estão mais contaminados, já dá para consumir sem medo os alimentos ali cultivados. É claro que isso não apaga o horror das bombas. Pelo menos um quarto da população das duas cidades morreu nas explosões, em agosto de 1945, no final da Segunda Guerra Mundial. Nas décadas seguintes, uma pesquisa feita pelo instituto nipo-americano Radiation Effects Research Foundation (Fundação de Pesquisa dos Efeitos da Radiação) revelou que a radiação fez aumentar a incidência de câncer entre os sobreviventes. Dos 50 mil sobreviventes estudados entre 1950 e 1990, 176 morreram de leucemia. Desses casos, 89 (51%) foram causados pela radiação. Entre as pessoas que estavam a menos de 1 quilômetro do centro das explosões, as bombas foram responsáveis por 100% das mortes por leucemia.

O estudo ainda apontou a ocorrência, em menor grau, de outros tipos de câncer, como de estômago, pulmão, mama e fígado. No total, estima-se que 9% das mortes por câncer entre os sobreviventes tenha sido causada pela bomba. A boa notícia é que não houve indícios de alteração genética nos fetos expostos à bomba. “Mas as pesquisas continuam. Ainda restam muitas dúvidas sobre os efeitos da radiação”, diz Emico.

Cogumelos letais
Número de mortos pelas bombas

Cidade – Hiroshima

População Estimada – 310 000

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Número de mortos* – 60 000 a 80 000

Cidade – Nagasáki

População Estimada – 250 000

Número de mortos* – 90 000 a 140 000

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* Inclui mortes ocorridas até quatro meses depois dos bombardeios

Fonte: Radiation Effects Research Foundation

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