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Algum dia será possível teletransportar pessoas?

O físico Samuel Braunstein já teletransportou um raio laser, mas a ciência está longe de repetir isso com humanos

Por Redação Mundo Estranho Atualizado em 4 jul 2018, 20h16 - Publicado em 18 abr 2011, 18h51

Tudo indica que por um bom tempo essa viagem vai ficar só na ficção. Os cientistas até imaginam como teletransportar gente – difícil mesmo é concretizar a experiência. Aliás, a hipótese concebida pelos físicos não tem nada a ver com o que acontecia na série Jornada nas Estrelas. Lembra? O capitão Kirk ficava debaixo de um feixe de luz, sumia da nave Enterprise e se materializava em outro planeta. Essa idéia foi cientificamente descartada há dez anos, quando o físico americano Charles Bennett demonstrou que o teletransporte é possível, mas com uma condição: o que chega ao destino não é o passageiro, mas um xerox do sujeito. Seu corpo, suas memórias, emoções e tudo o mais estariam na cópia, só que materializados em átomos diferentes. O que viaja pelo espaço são as informações sobre o comportamento das partículas que formam cada átomo do corpo humano, números que seriam “impressos” em outros átomos na hora de construir a cópia idêntica.

Mas, como essas partículas que formam os átomos são complexas e delicadas, o único jeito de transportar corretamente todos os seus dados sem sofrer interferência dos equipamentos é fazer com que as partículas possam se comunicar de forma instantânea, mesmo sem ter nenhuma ligação física. Esquisito, não? Mas o entrelaçamento, nome dessa condição surreal, é a chave para o teletransporte. “Ele permite montar partículas com propriedades idênticas mesmo que uma esteja longe da outra”, diz o próprio Charles Bennett, criador dessa teoria de teletransporte. Só para dar um exemplo: em um teletransporte entre São Paulo e Plutão, se uma partícula fosse alterada por aqui, a outra se modificaria instantaneamente no distante planeta. O mais incrível é que essa idéia maluca já funcionou na prática.

No final da década de 90, o físico inglês Samuel Braunstein, da Universidade de York, na Inglaterra, usou o entrelaçamento para teletransportar um feixe de raio laser em um laboratório. “Mas os elementos luminosos são muito mais simples que um átomo. Para teletransportar uma pessoa, a quantidade de informações seria trilhões de vezes maior. Resta saber quando lidaremos com isso de forma precisa”, diz Braunstein.

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    Mergulhe nessa

    Na internet:

    http://www.research.ibm.com/quantuminfo/teleportation

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    www-users.cs.york.ac.uk/~schmuel/news98/science.html

    Não fazemos qualquer negócio1. Antes de ser teletransportada, uma pessoa precisaria se submeter a duas técnicas para transmitir as informações dos átomos que a compõem. A primeira delas é uma espécie de escaneamento. Um aparelho especial leria as informações das partículas que formam o indivíduo para depois mandá-las para outro lugar. É como se fosse uma transmissão de fax — a diferença, como veremos adiante, é que o original é jogado fora!

    2. Como o escaneamento não consegue captar 100% das características atômicas, o teletransporte exigiria uma segunda técnica, o entrelaçamento, que usa “bolos de matéria” com átomos tratados em laboratório, capazes de se comunicarem entre si mesmo a uma grande distância. Nessa curiosa condição, é como se as informações mais sutis passassem instantaneamente de um átomo aqui na Terra para outro entrelaçado que esteja em Plutão, por exemplo

    3. Hoje, já existem máquinas que escaneiam e entrelaçam fótons e raios laser, mas nenhuma consegue fazer isso com um átomo, que dirá com um indivíduo inteiro. Mas, se o teletransporte humano se tornasse possível, os cientistas usariam equipamentos com o mesmo princípio para entrelaçar um monte de átomos. Metade deles ficaria num “bolo de matéria” na estação de partida do teletransporte e o resto ficaria na estação de chegada

    4. Quando a pessoa entrasse na cabine de partida, ela seria escaneada e entrelaçada com o “bolo de matéria” de átomos existentes no local — que por sua vez já estariam entrelaçados com o “bolo de matéria” do ponto de chegada. A cena seria surreal: os átomos do sujeito se desintegrariam e o indivíduo original viraria uma massa disforme e sem vida na estação de partida

    5. O fato de os dois “bolos de matéria” (no ponto de partida e no de chegada) estarem entrelaçados não seria suficiente para reconstruir a pessoa no destino final, pois sozinhos os dados do entrelaçamento não dizem nada sobre as características do sujeito. Seria preciso passar por uma outra etapa, que seria a transmissão das informações captadas no escaneamento inicial. Esses dados seriam enviados para o ponto de chegada por ondas de rádio

    6. As informações escaneadas ajudariam a traduzir os dados do entrelaçamento na cabine de chegada. Aí, cada um dos átomos do “bolo de matéria” do destino poderia ser moldado para formar uma cópia exata do sujeito. O problema é que precisaríamos fazer isso com todos os átomos do corpo humano. O total é enorme: nada menos que o número 1 seguido de 29 zeros!

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