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Como era o Sítio do Pica-Pau Amarelo?

Por Nina Rahe Atualizado em 4 jul 2018, 20h23 - Publicado em 17 fev 2016, 15h59
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ILUSTRAS Japs

1) A curiosidade matou a sardinha

Na cozinha, Tia Nastácia preparava várias delícias. Quando os integrantes do Reino das Águas apareceram no sítio, a cozinheira ganhou uma companheira muito enxerida. A Senhorita Sardinha se metia em tudo: provou sal, açúcar e até trepou no fogão para espiar a frigideira de gordura. Pulou dentro dela achando que fosse uma lagoa e acabou frita

2) Esse gato é um gatuno

Antes de dormir, a família se reunia na sala de jantar, a Tia Nastácia acendia o lampião e alguém contava uma história. Em Reinações de Narizinho, um falso “cinquentaneto” do Gato Félix inventou que tinha nascido na Europa, vindo para a América no navio de Colombo e se naturalizado norte-americano. Demorou, mas Visconde de Sabugosa descobriu as mentiras

3) Ô de casa!

A sala de visitas já recebeu muitos “famosos”. Entre eles, Cinderela, Chapeuzinho Vermelho e Branca de Neve, convocadas para uma festa da Narizinho. Esta última acabou se aborrecendo quando descobriu que um monstro também tinha sido convidado. Quando ele esmurrou a porta, todos se amontoaram para espiar pela janela. Ainda bem que ele não conseguiu entrar!

4) Pegadinha da malandra

Difícil alguém passar pelo sítio e não encontrar Dona Benta sentada na varanda com sua cesta de costura. Mas, em Reinações de Narizinho, a garota levou um susto: encontrou a vovó transformada numa tartaruga. Era uma vingança da Dona Carocha, especialista em histórias, porque a menina havia ajudado a esconder o Pequeno Polegar

5) Que delícia de Hamlet!

A biblioteca foi reformada por Emília quando os outros moradores do sítio viajaram para a Europa, em A Reforma da Natureza. Ela trocou o papel dos livros por trigo e o porco Rabicó acabou devorando as obras completas de Shakespeare. A boneca também cometeu outras ousadias, como colocar as jabuticabas do pomar no pé de abóbora

6) Decoração literária

A casinha do Visconde de Sabugosa era formada por dois grossos volumes do Dicionário de Morais, na biblioteca. A mesa era um livro chamado O Banquete e a cama era um exemplar da Enciclopédia do Riso e da Galhofa. Mas, depois que Visconde caiu atrás da estante, também em Reinações, passou a dormir numa latinha

7) Jantar na cama

Narizinho e Emília passaram a dividir um quarto depois que a boneca aprendeu a falar. Elas conversavam até tarde, aguardando que o sono viesse. Certa noite, foram despertadas por uma formiga ruiva batendo à porta. Ela trazia na cabeça uma salva de prata, coberta com guardanapo de papel. Emília espichou os braços para receber o presente: croquetes tostadinhos!

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IMAGINAÇÃO SEM LIMITES

Para Monteiro Lobato, os arredores do sítio podiam levar a todo tipo de aventura

1) Prenda a respiração

Com águas limpas e pedrinhas roliças de todas as cores, o ribeirão fazia divisa com o pomar e as terras de plantação. Em certos pontos, formavam-se pequenas praias de areia branca. Todos os domingos, Tia Nastácia se metia na água até a cintura para pegar peixes na peneira. O local também era a porta de entrada para o Reino das Águas, comandado pelo Príncipe Escamado

2) Cada macaco no seu galho

No pomar, cada árvore possuía um dono. A pitangueira era da Emília, as três jabuticabeiras, do Pedrinho, a mangueira de manga-espada, da Narizinho, os pés de mamão, da Tia Nastácia, e até o Visconde tinha um pezinho de romã. Debaixo das folhagens, onde não era permitido estilingue nem bodoque para a passarinhada se sentir à vontade, Narizinho e Pedrinho planejavam grandes aventuras

3) Sabedoria popular

No fim do pasto, perto da ponte, Tio Barnabé vivia em um rancho coberto de sapé. Negro sabido, com mais de 80 anos, ele entende de mula sem cabeça, lobisomem e de todas as feitiçarias. Foi quem incentivou Pedrinho a capturar um saci, pois aquele que colocasse o diabinho de uma perna dentro de uma garrafa de vidro o teria como escravo para o resto da vida

4) O jardim de Pedrinho

Todas as férias, Pedrinho enchia a varanda de flores. Houve um verão em que ele preencheu o espaço com pés de “cortina japonesa”, uma trepadeira com fios avermelhados da grossura de um barbante que, quando cresciam, desciam até o chão. O menino também pendurava muitas orquídeas e vasos de avenca miúda, de modo que o lugar estava quase virando um jardim

5) Um antiquário de plantas

Segundo o livro O Saci, o jardim de Dona Benta era repleto de flores do tempo de sua mocidade, só plantas antigas e fora de moda: esporinhas, damas-entre-verdes, suspiros, orelhas-de-macaco, dois pés de jasmim-do-cabo e outro de jasmim-manga. Narizinho implicava com o cravo-de-defunto, pois achava que tinha cheiro de cemitério

6) Festa junina

Todos os anos, na véspera do dia de São João, Pedrinho fincava um mastro do santo no terreiro. Ele mesmo cortava o pau no mato, o descascava e pintava com arabescos vermelhos, amarelos e azuis. No topo, colocava a bandeira, na qual pregava com tachinhas um retrato de São João

7) Nana, nenê, que ela vem te pegar

Numa montanha de pedras nuas e escuras, com arvoredo retorcido brotando das brechas, uma abertura negra indicava a entrada para a caverna onde morava Cuca. Com cara de jacaré e garras nos dedos, a “rainha das coisas feias” era velha como o tempo, devia ter mais de 3 mil anos de idade, e só dormia uma noite a cada sete anos. Já chegou a sequestrar Narizinho e transformar a menina em uma pedra

8) Vaca 2.0

Em A Reforma da Natureza, Emília redefiniu as feições da vaca do sítio. No pasto, Mocha circulava de chifres compridos com bolas de borracha nas pontas e pelo furta-cor. A cauda, no meio das costas, permitia à Mocha espantar as moscas do corpo inteiro; as tetas, metade à esquerda e metade à direita, possibilitavam amamentar e tirar leite ao mesmo tempo

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UMA FAMÍLIA ESTRANHA, MAS FELIZ

Na turma, tem até porco casado com boneca de pano

Dona Benta

Com mais de 60 anos, é a mais feliz das vovós. Todos que passam pela estrada próxima ao sítio conseguem vê-la na varanda com uma cestinha de costura e óculos de ouro na ponta do nariz

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Tia Nastácia

Cozinheira de mão-cheia, foi quem ajudou Dona Benta a criar Narizinho. Negra de beiços grandes, faz os melhores quitutes e, sem ela, a vida no sítio não teria sabor. É muito medrosa

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Narizinho

Neta de Dona Benta, é morena como jambo, gosta muito de pipoca e já sabe fazer bolinhos de polvilho. Está sempre acompanhada de sua boneca Emília e, todas as tardes, vai ao ribeirão dar farelo de pão aos lambaris

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Pedrinho

Filho de Antonica e neto de Dona Benta, o menino passa todas as férias no sítio. Vive de lá pra cá com um estilingue nas mãos. Metido a valente, inventou até mesmo de caçar uma onça

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Emília

Boneca de pano desajeitada, com olhos de retrós pretos e sobrancelhas altas, que Tia Nastácia fez para Narizinho. Ela passou a se comunicar depois de tomar uma pílula falante. É espevitada, mandona e interesseira

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Visconde de Sabugosa

Na tentativa de convencer Emília de que Rabicó era príncipe, Narizinho e Pedrinho usaram um sabugo de milho para inventar esse personagem, um “rei” que se finge de visconde. Muito inteligente, ele é “pai” de Rabicó

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Marquês de Rabicó

Os seis irmãos desse porquinho foram para o forno da Tia Nastácia. Mas ele se deu melhor. Virou marido de Emília depois que Narizinho a convenceu de que ele era um príncipe amaldiçoado por uma fada má

CORREIO ELEGANTE

Personagens tinham vários jeitos de se comunicar à distância

Carta: Pedrinho enviou uma à avó para que um cavalo o esperasse na estação quando ele chegasse de viagem

Marimbondo: Foi o mensageiro que trouxe um convite para a turma conhecer o palácio do Reino das Abelhas

Borboletograma: Para responder à gentileza das abelhas, Narizinho enviou sua própria emissária, escrevendo nas asas de uma borboleta

Libélula: Serviu de leva e traz para Rabicó, que queria pedir perdão a Narizinho por ter sido covarde em uma situação de perigo

Peixes escoteiros: Despachados pelo Reino das Águas, traziam uma concha de madrepérola com o pedido de casamento do Príncipe Escamado a Narizinho

Beija-flor: Convidou a Cinderela, a Branca de Neve e o Pequeno Polegar e outros personagens para a festa na casa de Narizinho

O Sítio do Pica-Pau Amarelo

AUTOR Monteiro Lobato (1882-1948)

VOLUMES 23

LANÇAMENTO 1920-1947

GÊNERO Infantil / fantasia

ESTE É O PRIMEIRO CAPÍTULO NA SÉRIE INFOGRÁFICOS DA LITERATURA BRASILEIRA.CONFIRA AS OUTRAS PARTES:

Como era a vizinhança do livroO Cortiço?

Quem eram os garotos deCapitães de Areia?

Como era a relação entre os personagens de Dom Casmurro?

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