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Como funciona um gasoduto?

Por Marina Motomura Atualizado em 4 jul 2018, 20h29 - Publicado em 18 abr 2011, 18h47
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Um gasoduto é uma rede de tubos que leva gás de uma região produtora, como a Bolívia, para uma região consumidora, como o Brasil. O gás é transportado pelos tubos com a ajuda da diferença de pressão: em um ponto, chamado estação de compressão, a pressão no duto é elevada e “empurra” o fluido para o ponto de menor pressão. No gasoduto entre a Bolívia e o Brasil, o gás percorre mais de 3 mil quilômetros – 557 quilômetros no país vizinho e 2 593 quilômetros por aqui. Esse “minhocão”, que transporta até 30 milhões de m3 de gás natural por dia, tornou-se um dos assuntos mais inflamáveis do momento depois que o presidente boliviano, Evo Morales, anunciou a nacionalização do gás natural no país. Na prática, a medida significa um aumento imediato (de 50% para 82%) no imposto sobre o gás que o Brasil importa, além do controle da Bolívia sobre as duas refinarias da Petrobras no país. É motivo de sobra para o presidente Lula ficar encanado.

Entrando pelo cano No gasoduto Bolívia- Brasil, tubulação fica enterrada a 1,2 metro de profundidade

1. Tudo começa com a extração do gás na Bolívia. Lá, ele é retirado do solo, que é perfurado por sondas. Como o gás está sob pressão embaixo da terra, ele sai naturalmente quando encontra uma brecha. Antes de entrar no gasoduto, o gás natural, constituído principalmente de metano, é purificado – gases como enxofre e propano caem fora

2. Antes de iniciar viagem, o gás natural ainda tem que ser comprimido para uma pressão entre 80 e 100 kgf/cm2 — 80 a 100 vezes maior que a da atmosfera ao nível do mar. Ao longo do gasoduto, estações de compressão ajudam a recuperar a pressão perdida pelo caminho.

3. Não dá para tirar o gás em qualquer ponto do gasoduto. Mas a tubulação passa por 36 cidades onde há estações de entrega. Nessas saídas para o produto, o gás tem a pressão diminuída para cerca de 35 kgf/cm2 (por razões de segurança) e é retirado por companhias distribuidoras locais. Uma das estações de entrega fica em Campo Grande (MS)

4. Outro tipo de estação que rola é a de medição. Existem várias espalhadas pelo trajeto, como esta em Guararema (SP). Uma estação de medição é simples: ela possui equipamentos para monitorar o volume e a velocidade do gás. Funciona como um posto de controle

5. O gasoduto também tem mecanismos de segurança. Há 115 válvulas de bloqueio, posicionadas com intervalo de 30 quilômetros entre uma e outra. Elas fecham a passagem do gás quando há sinal de vazamento na área. Há válvulas de bloqueio também nas estações de compressão

6. A manutenção é feita por via terrestre, aérea e até aquática — mergulhadores checam trechos em que a tubulação cruza rios. Entre outras coisas, os técnicos conferem a preservação da “faixa de servidão”, um trecho de 20 metros de largura que acompanha todo o gasoduto. Nessa faixa, é proibido construir e plantar

7. Na cidade de São Paulo, onde são consumidos diariamente 11,5 milhões de m3 de gás natural, o produto não é armazenado em botijões, como acontece com o gás do tipo GLP. Ele sai diretamente do gasoduto para os dutos das distribuidoras locais, que alimentam postos de combustível, residências e indústrias

8. O gasoduto segue para o sul do Brasil até Canoas (RS), onde finalmente termina após 3 150 quilômetros! A tubulação que transporta o gás é de aço-carbono, um dos mais resistentes. O diâmetro dos canos varia entre 16 e 32 polegadas (de 40,6 a 81,2 cm), dependendo do trecho. O gasoduto fica enterrado a uma profundidade média de 1,20 metro

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