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Como os aviões da Esquadrilha da Fumaça deixam rastros no ar?

Por Marina Motomura - Atualizado em 4 jul 2018, 20h28 - Publicado em 18 abr 2011, 18h48
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O segredo é bem trivial: a fumaça é só óleo queimado. O rastro nasce assim: todas as aeronaves têm um tanque de óleo especial, que passa pelo motor e sai pelo escapamento a altíssimas temperaturas. Em contato com esse calor, o óleo deixa de ser líquido e vira vapor, dando origem aos traços brancos que a gente vê no céu. Com o vapor, os aviões da Esquadrilha da Fumaça fazem diversos desenhos – são 22 manobras, em 35 minutos de apresentação. As estripulias existem desde 1952, quando um grupo de pilotos da Aeronáutica no Rio de Janeiro usava o tempo livre na hora do almoço para treinar manobras radicais. De lá para cá, o grupo se tornou um braço oficial das Forças Armadas, ganhando o nome de Esquadrão de Demonstração Aérea e uma sede em Pirassununga (SP). Para sentar no cockpit de um dos Tucano T-27, o avião com motor a hélice que é usado nas manobras, cada piloto deve ser no mínimo tenente, ter 1 500 horas de vôo e passar por um curso de três meses para ficar craque nas piruetas. Segundo a Aeronáutica, os acidentes são bem raros – o último aconteceu em 1995. O espetáculo viaja pelo Brasil e pelo exterior e é bastante requisitado: as apresentações, gratuitas, são marcadas com pelo menos três meses de antecedência. E os brasileiros estão entre os melhores acrobatas aéreos do mundo: em 1996, os ases brazucas entraram no Guinness Book, o “livro dos recordes”, ao voar com dez aviões de cabeça para baixo. Em 2002, eles quebraram o próprio recorde ao enfileirar 11 aeronaves de barriga para o ar.

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Na livraria:

Esquadrilha da Fumaça – 50 Anos – Esquadrilha da Fumaça, Ministério da Defesa, 2002

Rodopio radical “Leque de fumaça” tem seqüência de sete loopings

1. Para realizar essa manobra, seis aviadores partem da formação em seta, rasgando o céu de cima para baixo. Desse jeito, eles acionam os jatos de fumaça e realizam juntos o primeiro looping

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2. Depois do looping, o próximo passo da manobra é enfileirar as aeronaves em linha reta. Endireitando a rota e voando paralelamente ao chão, os aviadores se preparam para encerrar a acrobacia

3. Para finalizar, cada avião desenha um outro looping de 180 graus e pousa na pista, deixando o tal “leque de fumaça” no céu. O movimento, todo sincronizado, não é cronometrado no relógio. A harmonia na hora de cada um fazer o seu looping depende exclusivamente do entrosamento e dos rádios de comunicação dos pilotos

O amor está no ar “Coração” é manobra tradicional dos pilotos

1. Para desenhar o coração, as aeronaves partem juntas, na chamada formação em seta, vindos de cima para baixo. O avião da ponta, chamado de líder, é comandado por um piloto mais experiente (em geral, um coronel). Sete aviões compõem a Esquadrilha, mas a maioria das manobras inclui menos aeronaves — nesse caso, são seis

2. Depois da partida, o grupo de seis aviões endireita a rota e se divide em dois trios — cada trio desenha uma das metades do coração. A figura termina na ponta de baixo do coração, com os dois trios indo em direções opostas. O desenho chega a ter 1 200 metros de altura, com uma base a 300 metros do chão

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Onde há fumaça, há óleo Para rabiscar o céu, as aeronaves queimam cerca de 40 litros de óleo industrial

1. A matéria-prima para a fumaça da Esquadrilha fica no bagageiro do avião. Por lá, um reservatório guarda 40 litros de óleo industrial, usado normalmente como lubrificante de peças. Ao comando do piloto, o óleo é impulsionado por uma bomba hidráulica e percorre uma pequena tubulação, passando pelo motor e chegando ao escapamento do avião

2. Instalado na parte dianteira direita da aeronave, o escapamento recebe o óleo a uma temperatura altíssima — algo entre 400 e 450 ºC. Com o calor, o líquido evapora, vira fumaça e é solto no ar. Em dias sem vento, a fumaça fica 30 segundos intacta no céu. Num show de 35 minutos, quase todos os 40 litros de óleo são consumidos

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