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É verdade que comer maçã ajuda a melhorar a voz?

Não é lenda: a fruta realmente faz um bem danado para quem quer cordas vocais funcionando bem.

Por Rodrigo Ratier - Atualizado em 18 abr 2019, 20h14 - Publicado em 18 abr 2011, 18h52

É sim. A maçã ajuda na hora de soltar a voz porque ela funciona como uma “limpadora natural” da boca e da faringe. Ao ser engolida, ela raspa a superfície desses dois órgãos, evitando que a saliva grossa chegue à laringe, o tubo no início do pescoço onde a voz é produzida. “A maçã retira as secreções que dificultam a vibração das pregas vocais, deixando a saliva mais rala e favorecendo a articulação das palavras”, afirma a fonoaudióloga Gisele Gasparini, do Centro de Estudos da Voz, em São Paulo.

Outra vantagem é que a maçã é uma fruta bem consistente. Por causa disso, quem vai degustá-la acaba exercitando todos os músculos responsáveis pela articulação da fala – os lábios, as bochechas, a língua e os músculos interiores da boca. “Ou seja, a mastigação funciona como um aquecimento, que elimina a tensão na região do aparelho fonador, preparando o caminho para uma boa cantoria”, diz Gisele.

Entretanto, a grande dica para não correr o risco de a voz sumir bem na hora de cantar o refrão da música, é não abusar. O ideal é evitar conversas em ambientes barulhentos e não gritar ou falar alto por muito tempo. Se isso for impossível e a voz pedir socorro, o melhor remédio é o repouso: em geral, uma boa noite de sono costuma ser suficiente para recuperar a potência normal.

Se o problema continuar, o jeito é procurar um otorrino ou um fonoaudiólogo, profissionais que ensinam atividades de reeducação para usar a voz de maneira saudável. Muita gente, porém, apela para métodos caseiros.

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O velho e bom gargarejo com água ajuda, mas não resolve o problema, porque apenas algumas gotículas chegam a hidratar a laringe, sem eliminar a saliva mais grossa que prejudica a voz. Outras receitas tradicionais, como tomar uma colher de mel, também aliviam um pouco a dor, mas trazem um inconveniente: como essas substâncias possuem efeito anestésico, elas podem mascarar o desgaste e até agravar as lesões nas pregas vocais.

Dicas melódicas

Saiba o que ajuda – e o que atrapalha – quem gosta de cantar

Solução duvidosa

Remédios caseiros contra a rouquidão, como própolis, mel e pastilhas de menta, são eficazes apenas por um curto período. Seus efeitos anestésicos diminuem a dor por algum tempo, mas podem mascarar o desgaste e piorar ainda mais o problema.

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Fruta amiga

A maior vantagem da maçã é o chamado efeito adstringente: durante a mastigação, a fruta vai raspando a superfície da boca e da faringe. Com isso, a saliva grossa não atrapalha o trabalho das pregas vocais, que vibram com a passagem do ar e produzem a voz.

Refresco saudável

A água é uma aliada dos cantores porque ajuda a diluir a saliva grossa da boca. Mas não adianta se encher de líquido de uma vez: o ideal é uma hidratação constante, com pequenos goles ao longo do dia, para que aos poucos a saliva se torne mais rala.

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Vícios fora do tom

Os malefícios do cigarro são bem conhecidos: a fumaça agride o sistema respiratório, resseca as pregas vocais e aumenta o pigarro na laringe. Pior ainda se a pessoa exagerar no álcool, que disfarça a dor e pode agravar as conseqüências de um grito, por exemplo.

Ar condenado

Para quem trabalha em escritórios, um dos grandes inimigos da voz é o ar-condicionado, que resfria o ambiente mas também retira a umidade do ar. O resultado, outra vez, é que a laringe fica ressecada, e a pessoa precisa se esforçar mais para falar.

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Delícias proibidas

Chocolate, leite, queijos e outros derivados engrossam a saliva, atrapalhando a vibração das pregas vocais. O café também é  inimigo da voz: por ser quente, a bebida resseca a laringe e, se a pessoa abusar, pode até causar pequenos machucados.

Gogó apertado

Uma das regras para cantar tranquilo é deixar a laringe livre para se movimentar. Roupas justas ou de gola alta dificultam esse princípio, restringindo o sobe-e-desce do órgão e prejudicando o show.

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Fontes: Gisele Gasparini, fonoaudióloga do Centro de Estudos da Voz, e livro Voz, o Livro do Especialista, de Mara Behlau.

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