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Existem diferenças físicas no cérebro das pessoas geniais?

Gênios já nascem com uma cuca mais desenvolvida? Ou apenas recebem mais estímulos ao longo da vida?

Por Rafael Teixeira - Atualizado em 4 jul 2018, 20h21 - Publicado em 15 jun 2016, 12h53
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ILUSTRA Iuri Araújo e Guilherme Araújo

Gênios já nascem com uma cuca mais desenvolvida? Ou apenas recebem mais estímulos ao longo da vida? É um mistério complicado de resolver, até porque o cérebro é um dos órgãos mais difíceis de serem estudados. Conheça algumas das hipóteses fisiológicas que explicariam a propensão à genialidade.

1) Banda larga

Fotos do cérebro do físico Albert Einstein, publicadas em 2012, levaram o cientista Weimei Men, do Departamento de Física da East China Normal University, a estudar o número de conexões entre os dois hemisférios. Comparadas às de idosos e de pessoas com até 26 anos, essas conexões eram mais extensas em algumas áreas

2) Poder de processamento

Todo mundo tem agrupamentos de 80 a 120 neurônios no córtex, chamados de minicolunas por serem perpendiculares à superfície do cérebro. A Universidade de Louisville, nos EUA, detectou que gênios possuem uma concentração maior dessas estruturas no córtex frontal, responsável pelo pensamento abstrato

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3) Ê, cabeção!

Em 1999, uma equipe do Departamento de Psiquiatria e Neurociências daMcMaster University,no Canadá, comparou as medidas do cérebro de Einstein com o de pessoas “normais”. Seu lobo parietal era 15% maior. Essa é exatamente a região do cérebro responsável pelo pensamento matemático e pela cognição visual e espacial

4) Bem alimentado

Segundo uma pesquisa da Universidade da Califórnia, amostras da massa cinzenta de Einstein continham uma quantidade acima do normal de células gliais. Esse tipo de célula tem várias funções – uma delas é a nutrição do neurônio. Se os neurônios recebiam mais energia, supostamente executavam melhor o processamento de ideias

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5) Vias alternativas

Alguns estudos apontam que pessoas criativas têm menos receptores do neurotransmissor dopamina. Essa substância impede certas conexões neurais. Assim, em teoria, o gênio conseguiria acessar possibilidades descartadas por outras pessoas, encontrando soluções inusitadas e revolucionárias para os problemas

ACENDENDO A LÂMPADA

Como o conceito de genialidade evoluiu ao longo da história

2200 a.C.: Imperadores chineses já realizavam testes de inteligência antes de contratar seus servos

1100 a.C.: Poetas e filósofos gregos realizam os primeiros estudos sobre o que leva uma pessoa comum à grandeza. Romanos dão continuidade ao debate, usando como exemplo figuras como o imperador Júlio César

1790: Crítica do Juízo, de Immanuel Kant, define gênio como alguém que aborda e compreende um conceito de forma autônoma. Para o filósofo, a genialidade é nata

1869: Influenciado por Darwin, o antropologista Francis Galton estuda a árvore genealógica de gênios e defende que esse dom é passado ao longo da família

1983: O psicólogo cognitivo Howard Gardner lança a teoria de que há oito tipos de inteligência, ampliando o que pode ser definido como gênio

1989: É proposta a “regra dos dez anos”: para o psicólogo John Hayes, é necessária uma década de muito empenho numa única área para realizar uma descoberta genial

2006: O economista David Galenson divide artistas geniais em “conceitualistas” (cujas obras-primas são feitas cedo na vida) e “experimentalistas” (que realizam seus maiores feitos depois de anos de aperfeiçoamento)

CONSULTORIA Darrin M. McMahon, professor, historiador e autor

FONTES LivrosDivine Fury: A History of Genius, de Darrin M. McMahon eOld Masters and Young Geniuses: The Two Life Cycles of Artistic Creativity, de Galenson, e sitesTelegraph,Mental Floss,Cérebro & Mente,Focus: Science and Technology,How Stuff Works,Neatorama,Philosophical Transactions of The Royal Society,Enciclopedia Britannica,Wisconsin Medical Society,Alonzo Clemons,Popular Science,Academy of AchivementeBrain Pickings

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