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O que é a religião rastafári?

Com alguns elementos emprestados do judaísmo e do cristianismo, a crença prega a adoração do deus Jah

Por Victor Affonso Atualizado em 14 fev 2020, 17h44 - Publicado em 27 out 2014, 18h13

Pergunta da leitora Thaís Chaves Costa, Carapicuíba, SP

É uma crença nascida na Jamaica na década de 30, popularizada pelas músicas do cantor de reggae Bob Marley e atualmente seguida por cerca de 1 milhão de pessoas no mundo. Com alguns elementos emprestados do judaísmo e do cristianismo, ela prega a adoração do deus Jah, que teria reencarnado no século 20 como o imperador etíope Haile Selassie I. Seus seguidores, os rastas, seguem um modo de vida longe do capitalismo ocidental: se vestem à sua maneira, não cortam o cabelo e evitam aparar a barba, seguem uma dieta quase vegetariana, preferem tratamentos com ervas medicinais e abdicam de qualquer droga – a não ser a maconha, usada em rituais de meditação.

Jah, man!” Religião prega o vegetarianismo e o orgulho da raça negra

Gente como a gente
O deus único dos rastas, Jah (ou Yah na grafia latina), é uma abreviação de Jeová, nome que já aparecia nas escrituras hebraicas, gregas e na Bíblia. Diferentemente do Deus cristão, “Jah é um homem comum, que vai ao banheiro, tem filhos com sua mulher…”, afirma o padre rastafári Jermaine, de St. Andrews, na Jamaica, no documentário Rastamentary

O deus imperador
O nome da religião vem de Ras Tafari Makonnen (1892-1975), que, entre 1916 e 1930, foi rei da Etiópia – na época, a única nação independente da África. Em 1930, ele foi proclamado imperador pela Igreja Etíope Ortodoxa Cristã e renomeado Hailé Selassié. Até hoje, Selassié é adorado como uma encarnação de Jah, destinado a levar o mundo a uma era de ouro

Força na peruca
Os rastas mantêm fortes objeções às alterações da figura do ser humano. Ou seja, seus adeptos não podem fazer tatuagens ou cortar e escovar o cabelo. É por isso que o rastafarianismo é tão associado às tranças em forma de dreadlocks. Esse visual é encarado como uma espécie de voto feito pelo recém-convertido, mas não é obrigatório

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  • O messias rasta
    Outra figura importante foi Marcus Garvey, adorado como um profeta da religião. Nascido na Jamaica em 1887, ele trabalhou duro até se tornar um símbolo político de resistência cultural. Fundou o rastafarianismo quando proclamou, em 1927: “Olhem para a África, para a coroação de um Rei Negro” – evento que se concretizou três anos depois, com Selassié

    Ganja sagrada
    Apesar de reprovarem drogas, álcool e cigarro, seguidores dessa fé usam comumente a maconha (chamada de “ganja”) como uma forma de iluminação. O consumo segue um ritual: um grupo se reúne, reza em agradecimento a Jah e só então fuma a planta, que é considerada sagrada. O uso da maconha só para fins recreativos é considerado desrespeitoso

    Dieta de purificação
    Um dos nove princípios da religião prega o vegetarianismo, abrindo rara exceção para o uso de certas peles animais. É proibido o consumo de carnes suínas, peixes de concha, peixes sem escamas e caracóis. Dessa forma, os adeptos comem apenas “I-tal” (termo que significa puro, natural e/ou limpo), como Jah haveria ordenado. Para beber, preferência aos chás herbais

    Tricolor
    As cores verde, vermelha e amarela, da bandeira da Etiópia, são um forte símbolo do movimento rastafári. Representam lealdade a Selassié e à África acima de qualquer outra nação. O verde remete à vegetação africana, o vermelho se refere ao sangue dos mártires e o amarelo à riqueza e prosperidade do continente (antes da exploração colonialista)

    DIAS SANTOS
    7 de janeiro: Natal ortodoxo (como era celebrado por Selassié)
    23 de junho: Aniversário de Selassié
    17 de agosto: Aniversário de Garvey
    11 de setembro: Ano novo etíope
    2 de novembro: Coroação de Selassié

    FONTES Folha de S.Paulo, Trip, Religion Facts, Alternative Religion A-Z, Jamaica Observer e Rastafari Brasil; artigo “Marcus Garvey’s Words Come to Pass: A Black Revolutionary¿s Teachings Live on Through Rastafarianism and Reggae Music”, de Christopher Jeans (1998); e documentário Rastamentary: A Dialogue on Rastafarian Belief (2012)

    CONSULTORIA Jahlani Niaah, doutor em estudos rastafáris e organizador da Conferência e Assembleia Geral sobre Estudos Rastafáris

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