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Por que o Brasil não consegue detonar com a dengue?

Porque é impossível exterminar o Aedes aegypti, principal transmissor do vírus que causa a doença. Crescimento acelerado da população urbana, clima tropical – quente e chuvoso – e características reprodutivas do mosquito tornam o Aedes imbatível em nosso território. Mas essa derrota não é exclusividade nacional: a Europa é o único continente livre da dengue […]

Por Tiago Jokura Atualizado em 4 jul 2018, 20h25 - Publicado em 1 abr 2009, 18h53

Porque é impossível exterminar o Aedes aegypti, principal transmissor do vírus que causa a doença. Crescimento acelerado da população urbana, clima tropical – quente e chuvoso – e características reprodutivas do mosquito tornam o Aedes imbatível em nosso território. Mas essa derrota não é exclusividade nacional: a Europa é o único continente livre da dengue e até um país desenvolvido como a Austrália ainda padece com epidemias frequentes. Até que seja desenvolvida uma vacina, “controlar a população de mosquitos é mais eficaz do que tentar erradicar a doença, o que já aconteceu na década de 1970, quando pouco mais da metade de nossa população vivia em cidades e ainda não se falava em aquecimento global”, explica o infectologista Marcelo N. Burattini, da Unifesp, em São Paulo. A ME fez a parte dela e prensou um Aedes contra a parede para levantar informações que ajudam a entender o tamanho do desafio brasileiro no combate à dengue. :0(

PINTOU UM CLIMA…
Bimestre com mais casos de dengue em 2008, na cidade do Rio de Janeiro, aliou temperatura média acima de 25 ºC com grande volume de chuva

Em épocas chuvosas, as fêmeas do Aedes encontram mais água parada para desovar, o número de mosquitos aumenta e os registros de dengue disparam. Abaixo de 25 ºC, as larvas se desenvolvem mais lentamente, a população de Aedes diminui e o número de casos desaba.

BICHO URBANO

Aglomeração de pessoas facilita a vida do Aedes

A fêmea precisa de sangue humano durante a gestação. A cada picada, o mosquito pode contrair o vírus de alguém contaminado ou passá-lo para quem ainda não tem. Por isso, locais com muita gente – como as cidades – são perfeitos para o mosquito se multiplicar e aumentar o poder de transmissão do vírus

ARMAS BIOLÓGICAS

Fêmeas infectadas podem transmitir o vírus para as larvas

1 500 ovos são postos pela fêmea durante a vida – de 150 a 200 por gestação

15 meses é o período que os ovos suportam em superfície seca, mantendo os embriões vivos

30 minutos é o tempo que os ovos levam para eclodir em contato com a água, liberando as larvas

40% de chance de os embriões herdarem o vírus da fêmea infectada

4 tipos de vírus diferentes dificultam o desenvolvimento de uma vacina eficaz contra a dengue.

FEBRE MUNDIAL

Em 2008, Brasil concentrou dois terços dos casos de dengue de toda a América

No mundo todo, regiões tropicais com clima quente e úmido são habitadas pelo Aedes aegypti e estão sob risco de epidemia. Pessoas contaminadas circulando entre vários países também espalham o vírus pelo planeta.

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OCUPAÇÃO MÁXIMA

Cidades brasileiras com maior porcentagem de imóveis infestados pelo Aedes aegypti

ITABUNA (BA) 15,6%

EPITACIOLÂNDIA (AC) 7,4 %

MOSSORÓ (RN) 6,8 %

VÁRZEA GRANDE (MT) 6,1 %

CAMAÇARI (BA) 4,1 %

Cidades com mais de 4% dos imóveis infestados por ovos, larvas ou mosquitos correm o risco de abrigar surtos de dengue. Para controlar epidemias, o ideal é manter o índice abaixo de 1%

BERÇO ESPLÊNDIDO

Principais berçários do Aedes em cada região do Brasil

LIXO

No Norte e no Sul, cerca de metade dos Aedes nascem em latas, pneus e outros entulhos que acumulam água e servem como ninho para o mosquito

RESERVATÓRIOS DE ÁGUA

Quase toda a população nordestina do Aedes se desenvolve a partir de poços, tonéis, caixas-d’água e outros reservatórios hídricos

AMBIENTE DOMÉSTICO

Pouco mais da metade dos focos no Centro-Oeste e no Sudeste ocorrem em residências – principalmente em vasos e pratinhos de plantas, calhas e piscinas

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