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Qual foi a biblioteca mais importante que existiu?

Por Cíntia Cristina da Silva Atualizado em 4 jul 2018, 20h20 - Publicado em 18 abr 2011, 18h48

Para começar, “importância” é um critério bem subjetivo. Não dá para dizer, por exemplo, que a biblioteca mais importante é a maior. Se fosse assim, a campeã seria a biblioteca do Congresso Americano, em Washington, nos Estados Unidos. É lá que está o maior acervo do mundo: atualmente, são 119 milhões de livros espalhados em mais de 850 quilômetros de prateleiras! Claro que é um centro importante, mas nada que se compare àquela que muitos historiadores consideram a “mãe” das bibliotecas modernas, que reunia os maiores cérebros do mundo. Isso numa época em que quase ninguém sabia ler ou escrever, e que o conhecimento humano sobrevivia basicamente por relatos orais. Estamos falando da biblioteca de Alexandria. Erguida no século 3 a.C., a biblioteca almejava “abrigar todo o conhecimento produzido pelo homem”. Quase chegou lá: o lugar chegou a ter 700 mil textos, uma enormidade para a época. Essa grandiosidade ruiu a partir do século 3, quando o imperador romano Aureliano invadiu Alexandria e, acredita-se, destruiu o lugar. Na época, os nobres egípcios salvaram boa parte dos textos. Mas no ano de 642, o general árabe Amr ibn al-As conquistou a cidade e perguntou a seu soberano, o califa Omar, o que fazer com os livros. O califa disse que o único livro indispensável era o livro de Alá – o Alcorão, obra sagrada dos muçulmanos. Amr, então, distribuiu os livros pelas 4 mil casas de banho de Alexandria para que eles fossem usados como combustível das caldeiras.

Relíquia egípcia Biblioteca de Alexandria reunia o supra-sumo do saber na Antiguidade

O CATALOGADOR

A tarefa de ordenar os papiros de Alexandria por temas coube ao poeta grego Calímaco (300-240 a.C.). Usando ordem alfabética para classificar os textos — uma novidade para a época —, Calímaco organizou as obras em oito assuntos: teatro, oratória, poesia lírica, legislação, medicina, história, filosofia e miscelânea

O PÚBLICO

Apenas filósofos, matemáticos e nobres estrangeiros que recebessem a permissão do rei do Egito podiam freqüentar a biblioteca. A situação só mudou quando os romanos conquistaram o país, em 30 a.C. A partir daí, a biblioteca virou instituição pública, aberta a todos

OS PAPIROS

Os “livros” da biblioteca eram os papiros, espécie de papel enrolado em que se escrevia. Cada um deles media 25 centímetros de largura e até 11 metros de comprimento. Calcula-se que a biblioteca começou com 200 papiros. No século 2 a.C., esse número pode ter aumentado para um total de 700 mil papiros

O LUGAR

Provavelmente, a biblioteca ocupava uma área grande no Museu Real de Alexandria — não dá para ter certeza porque o espaço foi destruído no século 3. Também há poucos detalhes sobre a decoração. Alguns relatos falam sobre uma placa pendurada na entrada do local. Nela estaria escrito “lugar de cura da alma”

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OS BIBLIOTECÁRIOS

Além de classificar rolos de papiros, os bibliotecários organizavam textos antigos. Os poemas clássicos Ilíada e Odisséia, atribuídos ao grego Homero e feitos entre os séculos 9 e 8 a.C., foram estruturados na biblioteca nos capítulos que se conhece hoje pelo grego Zenódoto de Êfeso, no século 3 a.C.

AS ESTANTES

Em sua origem grega, um dos significados da palavra biblioteca é “estante”. Em Alexandria, as estantes ficavam num longo corredor, em reentrâncias próximas à parede. Em algumas recriações, as prateleiras aparecem em forma de X, o que facilitava o armazenamento e o manuseio dos papiros

OS ESCRIBAS

A profissão deles era copiar manuscritos. Em Alexandria, os escribas tiveram trabalho de sobra. Durante o reinado de Ptolomeu III (246-221 a.C.), um decreto mandava confiscar livros encontrados com estrangeiros. Os escribas reproduziam os manuscritos e só então devolviam os textos a seus donos

O IDEALIZADOR

A biblioteca foi erguida no século 3 a.C. por ordem do general macedônio Ptolomeu I, a quem Alexandre, o Grande, entregou a administração de Alexandria após a conquista do Egito. Sob a dinastia ptolemaica, que durou até o ano 30, a biblioteca tornou-se a maior de toda a Antiguidade

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