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Quem foi Lawrence da Arábia?

Foi um dos principais personagens da Primeira Guerra Mundial

Por Redação Mundo Estranho Atualizado em 14 fev 2020, 17h50 - Publicado em 18 abr 2011, 18h51

Foi um grande aventureiro britânico do início do século 20, um misto de arqueólogo, estrategista militar e escritor. Sua vida foi tão movimentada que acabou se transformando em um filme de grande sucesso na década de 60. Thomas Edward Lawrence, ou simplesmente T.E. Lawrence, iniciou a trajetória que o tornaria mundialmente famoso entre 1911 e 1914, período em que trabalhou numa expedição arqueológica no Oriente Médio.

Ele aproveitou a oportunidade para aprender árabe e conhecer os costumes da região. Quando a Primeira Guerra Mundial começou, em 1914, ele se alistou nas Forças Armadas e, devido aos seus conhecimentos sobre o Egito e o Oriente Médio, passou a fornecer informações estratégicas para o Exército britânico. Seu principal papel na guerra, porém, foi outro. Lawrence ajudou a enfraquecer o Império Turco-Otomano, inimigo dos ingleses, incentivando tribos árabes a se rebelarem contra os turcos.

Nem tudo, porém, saiu como ele queria. Em 1917, o aventureiro foi capturado pelos otomanos e, antes de conseguir escapar, foi torturado e sofreu violências sexuais. Ao final da guerra, em 1918, traumatizado por suas experiências e desiludido com o tratamento dado pelos ingleses aos seus velhos aliados árabes, recusou condecorações e abandonou o Exército.

Durante a década de 20, Lawrence se dedicou a escrever suas memórias, organizadas no livro Os Sete Pilares da Sabedoria. Embora a obra seja um pouco inexata e fantasiosa em vários pontos, ela adquiriu grande importância histórica e artística. “É um dos poucos trabalhos escritos em inglês no século 20 a apresentar uma visão épica de personagens contemporâneos, revelando as complexas transformações por que passou seu autor”, diz o crítico e historiador Stanley Weintraub, da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Lawrence morreu em 19 de maio de 1935, aos 47 anos, em consequência dos ferimentos que sofrera seis dias antes, num acidente de moto.

 

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Árabe por opção
Para enfrentar os turcos, ele passou a viver como seus aliados no Oriente Médio

Durante a Primeira Guerra Mundial, o Império Turco-Otomano, aliado da Alemanha e inimigo dos ingleses, ocupava boa parte do Oriente Médio. Isso colocava em risco o funcionamento do canal de Suez, no Egito, importante ligação marítima usada pelos britânicos para chegar às suas colônias asiáticas. Como várias tribos árabes estavam insatisfeitas em ver suas terras sob o controle turco, os ingleses utilizaram essa revolta para instigar os árabes contra os invasores. T.E. Lawrence foi mandado ao Oriente Médio para fornecer uma pequena ajuda militar às tribos. Transformado em assessor do principal chefe árabe, Hussein ibn Ali, o aventureiro inglês comandou importantes ataques da guerrilha contra os turcos. A imprensa, então, passou a se referir ao aventureiro como Lawrence da Arábia. Ele de fato passou a se vestir como seus aliados e a admirar o povo que lutava ao seu lado. A revolta árabe enfraqueceu decisivamente o Império Turco. Após o fim da guerra, porém, os ingleses e as outras potências europeias vitoriosas dividiram o mapa do Oriente Médio de acordo com seus interesses, ignorando as reivindicações das tribos árabes, apesar das promessas de autonomia que haviam feito a elas.

 

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Sucesso nas telas
História do lendário britânico virou um filme premiado com vários Oscars

A movimentada vida de T.E. Lawrence foi transformada em clássico de Hollywood nos anos 60 (na foto acima). No filme Lawrence da Arábia, dirigido por David Lean, o ator Peter O’Toole interpretou o papel do aventureiro britânico. A obra faturou sete Oscars, mas está longe de ser uma representação fiel das complicadas relações entre árabes e ingleses durante a Primeira Guerra. “O filme lança mão de estereótipos e clichês. É o caso, por exemplo, da generalização de todos os árabes como uma espécie de bando desorganizado, desconhecedor de princípios básicos da ‘civilização’. Que os árabes o considerassem uma espécie de profeta, então, é o fim da picada”, diz o professor de literatura árabe Mamede Mustafa Jarouche, da USP.

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