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Como o botox estica o rosto?

O botox é a toxina botulínica, produzida pela bactéria Clostridium botulinum, a mesma que, em grandes quantidades, provoca o botulismo (doença que causa paralisia e morte). Ele é aplicado somente em regiões que, depois de “botocadas”, não comprometam atividades essenciais como comer ou falar. Por isso, as áreas preferidas são as rugas da testa ou ao redor dos olhos.

Ao ser aplicado no corpo, ele se liga aos neurônios responsáveis pelo movimento dos músculos. Depois da primeira hora da aplicação, a toxina atravessa a membrana das terminações nervosas e entra no citoplasma. Ali, ela procura uma estrutura celular que libera a acetilcolina, um neurotransmissor responsável pelas contrações musculares.

Por meio de reações químicas nos terminais nervosos, o botox impede a liberação da acetilcolina para o músculo. Sem receber o neurotransmissor, o músculo fica parado e não se contrai mais. Por isso, a pele fica relaxada, ou “esticada”, para quem vê de fora. A paralisia começa 48 horas após a aplicação, mas o auge do efeito é 15 dias depois, quando o processo termina.

Quando o corpo percebe que não consegue mais mexer aquela região, ele reage. Dez dias após a aplicação, novos terminais nervosos começam a brotar dos neurônios recheados de botox para restabelecer o movimento muscular, voltando a liberar acetilcolina. As novas ramificações levam cerca de quatro meses para funcionar plenamente – é quando o botox começa a perder seu efeito.

Daí em diante, a toxina botulínica é incorporada e eliminada das células, e aquele nervo que estava sem ação volta ao normal. As ramificações que brotaram são reabsorvidas, desaparecem, e o músculo volta a se movimentar como antes. Ao final de seis meses da aplicação do botox, ele perde seu poder e a pele volta a se enrugar.

Bota botox aí!

O botox nem sempre foi usado para esconder pés-de-galinha. No fim dos anos 60, os cientistas usaram a toxina botulínica para tratar estrabismo, doença em que os olhos não ficam paralelos. Funcionou! E eles perceberam que, além de melhorar o estrabismo, as rugas ao redor dos olhos sumiam e o suor diminuía. Hoje, ele é usado para combater a hiperidrose (que causa suor excessivo) e também para tratar problemas em outros músculos, como os das cordas vocais e até o esfíncter anal – que, afinal, é um músculo como qualquer outro