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E se Donald Trump vencer as eleições nos Estados Unidos?

Basicamente, não será o fim do mundo.

Por Pedro Henrique Tavares Atualizado em 4 jul 2018, 20h16 - Publicado em 25 out 2016, 17h44

ILUSTRA Fabiane Langona
EDIÇÃO Felipe van Deursen

Provavelmente, o mundo mudaria menos do que o alarde criado por seus discursos. Mas haveria alguns chacoalhões globais, como a relação entre as potências e a situação do Oriente Médio, que podem ficar mais tensas caso o topetudo chegue à Casa Branca. Mesmo se experiência política, o empresário magnata e celebridade da TV é o candidato do Partido Republicano à presidência dos Estados Unidos, que acontecerá em 8 de novembro.

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Oriente Médio

O que ele diz?
Trump acredita que, para afastar a ameaça terrorista dos Estados Unidos, é preciso banir a entrada de imigrantes e turistas de origem muçulmana. Ele defende ataques terrestres contra o Estado Islâmico com a ajuda financeira dos próprios países árabes

O que pode acontecer?
É mais discurso para conquistar eleitores superconservadores do que plataforma política de fato. Mas a atual política de retirar tropas do Oriente Médio pode, sim, se reverter. Quanto aos imigrantes, como identificar um muçulmano se a religião não é registrada no passaporte? Dificilmente uma medida radical assim passaria no congresso do país

América Latina

O que ele diz?
Construir um muro na fronteira com o México e deportar quase 12 milhões de imigrantes ilegais. Para completar, Trump diz que os mexicanos deveriam pagar pela empreitada – algo entre US$ 5 e 10 bilhões, segundo sua equipe, ou entre US$ 15 e 25 bilhões, de acordo com a revista The Economist. Por isso, os brasileiros que moram nos EUA, 1,4 milhão de pessoas, estão apreensivos com o resultado da eleição

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O que pode acontecer?
Trump já deu vários custos diferentes para o muro: US$ 5, 8, 10 e 15 bilhões. Ou seja, não sabe o que diz. Em todo caso, os mexicanos já avisaram que não vão pagar nada. Fora que deportar todos os ilegais é uma tarefa quixotesca. Um pré-candidato a presidente calculou que seriam necessárias 15 mil deportações diárias para atingir a meta. Em 2015, essa média foi de 630

Rússia e China

O que ele diz?
Trump troca elogios com Vladimir Putin, presidente da Rússia. Ele chegou a pedir que os russos “hackeassem” os e-mails de sua adversária, Hillary Clinton (depois, disse que era brincadeira). Já a China, para o candidato, “estupra os EUA” e promove “o maior roubo da história” contra o país ao “danificar nossas empresas e trabalhadores”

O que pode acontecer?
Trump disse que os sócios europeus da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) deveriam contribuir mais, caso contrário ele poderia tirar os EUA do time. Uma Otan sem o país seria muito mais fraca, o que agradaria a Putin, que tem pretensões expansionistas (já anexou um pedaço da Ucrânia). Trump também pode aumentar a tensão que já existe com a China, que vem ameaçando parceiros comerciais norte-americanos, como o Japão, ao reivindicar a soberania de áreas marítimas

Resto do mundo

O que ele diz?
Trump disse estar disposto a falar com o ditador norte-coreano Kim Jong-un e negociar o fim do programa nuclear do país. Ele também elogiou o plebiscito que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia. Para Trump, a UE foi criada para “competir com os Estados Unidos”

O que pode acontecer?
A Coreia do Norte declarou que Donald Trump é um candidato melhor que Hillary Clinton e que ele é um homem “sábio”. Isso poderia aumentar uma possibilidade de negociação. Em relação ao Reino Unido e à União Europeia, as declarações de Trump podem atrapalhar futuras relações comerciais com o bloco econômico mais poderoso do mundo

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CONSULTORIA Carlos Gustavo Teixeira, cientista político da PUC-SP; Geoffrey Skelley, cientista político da Universidade da Virgínia (EUA); e Norman Ornstein, cientista político do American Enterprise Institute (AEI)
FONTES Projections of Power, de Robert M. Entman; The Age of Imperialism, de Harry Magdoff; The Atlantic; BBC; Donald Trump; Forbes; Foreign Policy; Huffington Post; The New Yorker; The New York Times; El País; Vanity Fair; Washington Post

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