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Segredos da CIA: como a agência influiu no golpe militar no Chile

A agência teve influência direta na queda de Salvador Allende

Ilustra Daniel Rosini
Edição Felipe van Deursen

FOI GOLPE
CIA tramou o golpe militar no Chile em 1973 e apoiou a ditadura de Augusto Pinochet no país

Onde – Chile
Objetivo – Derrubar o governo de Salvador Allende
Status – Bem-sucedido

Leia a série “Os segredos mais sujos da CIA”:
– A caçada a Osama bin Laden  
– Os planos para invadir todos os celulares do mundo
– O túnel para enganar os soviéticos em Berlim
– O projeto sinistro para criar agentes zumbis
– Como a CIA arquitetou o golpe militar no Chile
– A influência da CIA na política brasileira
– Os animais que quase viraram espiões

 

 (Daniel Rosini/Mundo Estranho)

1. PEDRA NO SAPATO
A agência começou a agir no país na corrida presidencial de 1964. Para minar a candidatura do socialista Salvador Allende, despejou US$ 3 milhões na campanha do direitista Eduardo Frei, que acabou vitorioso. Em 1970, Allende tentou de novo, e lá estava a CIA para esvaziar a candidatura, espalhando cartazes e notícias falsas na imprensa. Ela conseguiu até emplacar uma capa na revista americana Time, que tachou Allende de “ameaça marxista”

2. VÃO TER QUE ENGOLIR
Allende venceu, mas, pela lei chilena, o Congresso precisava decidir se acatava a escolha do povo, o que demoraria 50 dias. Nesse tempo, a CIA financiou militares para sequestrarem o chefe das Forças Armadas chilenas, René Schneider, pró-Allende, e o mandarem à Argentina, para depois assumirem o poder. Mas o sequestro falhou, e Schneider morreu metralhado. Enquanto isso, o Congresso confirmava a vitória de Allende, que ganhou mais apoio no país

3. DITADURA ESCANCARADA
Temendo que o Chile virasse uma nova Cuba, o presidente Richard Nixon destinou cerca de US$ 10 milhões a ações para tumultuar o ambiente político e econômico do país. Em 1973, militares apoiados por Augusto Pinochet, comandante-em-chefe do Exército, invadiram o palácio presidencial. Acuado, Allende se matou. Pinochet instalou uma brutal ditadura, que teve apoio direto da CIA. Entre mortos, desaparecidos e torturados, foram 40 mil vítimas até o fim do regime, em 1990

 

Derrubadora
A CIA se envolveu em vários golpes de Estado mundo afora

 (Daniel Rosini/Mundo Estranho)


A mídia sob controle
CIA já manipulou notícias para influenciar a opinião pública

Nos anos 50, a CIA infiltrou agentes nas redações de jornais e revistas dos EUA para influir nas notícias divulgadas. Mais de 3 mil colaboradores participaram da Operação Mockingbird, que propagava pontos de vista da CIA. Cerca de 25 veículos de grande porte, como The New York Times, Newsweek e Time, sofreram influência do programa. Mas não se sabe o alcance nem o impacto da ação nos EUA. A operação se internacionalizou e foi bem-sucedida na Guatemala, onde a agência manipulou a mídia local para angariar simpatia ao golpe que derrubou o presidente Jacobo Arbenz, em 1954 (veja no mapa). Nos anos 60, quando relatos da operação vieram à tona, ela foi abandonada

FONTES Livro Legado de Cinzas, de Tim Weiner; BBC, CIA, Estadão, O Globo, The Guardian, The Independent, National Geographic, El País, Scientific American, Telegraph, Terra, UFMG, Último Segundo, UOL e Zero Hora

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